Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/01/2021
Em 2020, na vigésima edição do reality show Big Brother Brasil, transmitido pela Rede Globo, os espectadores ativos em redes sociais, principalmente no Twitter, se familiarizaram e usaram o termo “cancelamento” para, basicamente, invalidar os participantes com ideias consideradas erradas no programa. A partir disso, o termo não saiu das publicações na internet e tem ficado cada vez mais forte, usado sem qualquer empatia e, em alguns casos, para linchamento virtual de pessoas que, na visão de outras, erraram.
É fato, porém, que o cancelamento começou como um grito para pessoas perceberem ações erradas vindo, principalmente, de empresas e grandes companhias. E temos o ato de “cancelar”, no contexto virtual, para expressar uma insatifação individual ou coletiva a respeito de alguém que possa ter cometido falas ou ações preconceituosas, desrespeitosas e extremistas. Esse lado deu poder de fala para minorias reprimidas e é usado como uma forta de resistência e militância.
Porém, em outro extremo, temos a cultura do cancelamento que funciona como uma forma de censura, que impede, ou pelo menos freia pessoas de se expressarem por terem medo de como a informação será interpretada por indivíduos do outro lado da tela. Esse “medo” aflinge, principalmente famosos, mas também se tornou recorrente em anônimos, já que, em muitos casos, publicações de pessoas desconhecidas que viralizaram receberam comentários contrários contendo até discursos de ódio.
Para então, evitar casos de disseminação de ódio apenas por divergência de opiniões, que é o câncer da cultura do cancelamento, se faz necessário o bloqueio e a suspensão de contas nas redes sociais contendo tal comentários por parte das próprias plataformas, como Facebook, Instagram e Twitter. Os internautas precisam também manter em mente o impacto que as palavras podem ter sobre pessoas com diferentes realidades.