Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/01/2021
A ascenção da internet com o advento da globalização permitiu que as barreiras físicas fossem rompidas em benefício das relações interpessoais. Tal aproximação possibilitou um monitoramento constante da rotina de cada pessoa, contudo esse fato acarreta em, consequentemente, julgamentos recorrentes sobre as ações ou pensamentos desta, privando-a de refletir sobre seus atos quando a cultura do cancelamento começa a interferir, não somente no presente, mas no futuro de cada cidadão.
À medida que esse problema perpetua, é possível notar, segundo o conceito de “projeção”, proposto pelo fundador da psicanálise, Sigmund Freud, que o incômodo da população com determinado deslize cometido por outro, deriva do mesmo pensamento intrínseco de cada um, reprimido e espelhado como uma forma de defesa do inconsciente. O cancelamento acaba por simbolizar a repressão, mascarando o problema ao invés de resolvê-lo.
Dessa forma, enquanto todos os indivíduos da sociedade não encararem a realidade de seus problemas, muitos os projetarão, agravando essa adversidade. Um exemplo ocorreu nas redes sociais da editora Galera, do grupo Record, quando esta questionou seus seguidores a respeito do personagem “Chaol” da saga Trono de Vidro, escrito por Sarah J. Maas, que fora odiado pelos leitores por seus erros e, posteriormente, elogiado por ter os reparado. Diversos internautas asseguraram não imaginar a volta da afeição por ele, demonstrando a sentença premeditada que o ser humano instaura perante um julgamento ao próximo.
Por conseguinte, é necessário que as prefeituras de cada estado, em parceria com os grêmios das escolas destas, incentivem a realização de trabalhos avaliativos semestrais com o intuito de pesquisar sobre indivíduos que sofreram com a cultura do cancelamento naquele período e reverem o desfecho da situação. O encorajamento deve vir com a ajuda do material necessário que cada instituição demanda, a fim de possibilitar um debate que assegure o alavancamento de jovens críticos na sociedade.