Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/01/2021
A cultura do cancelamento consiste na “proibição” social de algumas falas ou atitudes por parte de um determinado grupo. Isso acontece, muitas vezes, sem o alvo ter um direito de resposta. Desse modo, as redes sociais se tornam, como diria o enxadrista Mikhail Tal: uma floresta escura em que 2+2=5 e que a saída só é grande o suficiente para um. Nesse sentido, a cultura do cancelamento é prejudicial não só por ser injusta, mas também por ser seletiva.
Primeiramente, é importante deixar claro a injustiça por parte dos grupos canceladores. Por óbivio, esse processo ocorre totalmente fora do devido processo legal, da ampla defesa e da paridade de armas (todos esses presentes na constituição brasileira), uma vez que o cancelamento ocorre aos olhos da sociedade e não acarreta consequências para o investigador, além disso o acusador é a mesma pessoa quem julga. Portanto o ambiente criado por esse tipo de atitude é completamente incerto ao passo de ser injusto.
Em um segundo momento, é relevante pontuar a ocasionalidade dos cancelamentos, eles só acontecem quando interessa aos grupos que estão cancelando, de acordo com o garantismo ocasinal: aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Então fica evidente que deve-se discutir ideias com ideias e não no grito, como aconteceu na Alemanha: ao aprisionar Hitler, ele escreveu o Main kampf, criando uma bolha e interditando assim o debate, resultando no absurdo que foi o seu Governo.
Posto tais argumentos, é imprescindivel que as redes sociais criem mecanismos de alertas para os possíveis interloucutores do risco que eles podem oferecer ao compartilhar um “cancelamento”. Esse mecanismo pode ser fazer atraves de um aviso em baixo das postagens que são altamente percurtidas: esse post pode ser mentiroso. Afinal, uma mentira pode ser contada ao falar uma verdade. Somente assim para que as pessoas parem de serem injustiçadas por falar o que pensam.