Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 30/01/2021

Consoante o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, na medida em que é composta por partes interdependentes que interagem entre si. Para que esse organismo seja harmônico e coeso, regras devem ser respeitadas e os direitos dos cidadãos, garantidos. No entanto, no Brasil, essa harmonia não é alcançada, uma vez que debate-se bastante sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Tal vicissitude advém da manipulação midiática que proporciona muito poder ao povo, porém não o ensina a utilizá-lo. desse modo, não só o desequilíbrio emocional, mas também a ideia de um tribunal virtual intensificam esse quadro.

Nessa perspectiva, a falta de saúde mental alicerça a questão da cultura do cancelamento. Isso ocorre porque o número de manifestações contra o indivíduo que supostamente fez algo errado na visão do público é muito grande e possui até diversas mensagens de caráter ofensivo como os xingamentos, por exemplo. Resultam desse panorama vítimas que acabam decepcionando-se muito e, por conseguinte, desenvolvem algum tipo de doença psicológica ou observam o declínio de sua carreira no caso das celebridades como a influencer digital Gabriela Pugliesi, ela foi cancelada após postar um vídeo dando uma festa em sua residência durante a pandemia do Covid-19, a moça perdeu vários seguidores e patrocinadores, com isso fica evidente o quão forte é o cancelamento.

Além disso, a ideia de um tribunal virtual gera a discussão envolvendo a cultura do cancelamento. Essa situação acontece pois embora algumas pessoas possam realmente realizar ações indevidas, no Twitter, local onde constantemente acontece esse movimento, muitos cidadãos não possuem a formação adequada para fazer esse julgamento e nem aquele é o devido lugar. Como consequência desse quadro tem-se que a noção de justiça que a população acha que está aplicando, torna-se deturpada ou é aplicada muito intensamente transformando-se em uma injustiça.

Logo, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, o governo federal em parceria com as empresas donas das redes sociais, por intermédio das mídias digitais, deve divulgar mensagens de cunho educacional alertando a população dos impactos na saúde mental que suas mensagens podem causar aos outros. Ademais, cabe a essas mesmas empresas donas do Twitter e do Instagram, por exemplo, por meio de suas próprias plataformas, criar uma ferramenta na qual o usuário que sentir-se incomodado possa relatar o ocorrido e a partir de uma certa quantidade de relatos, a empresa reúna-se com o indivíduo relatado e resolva a situação, para que a justiça seja feita e ambas as partes sejam igualmente escutadas. Dessa forma, “corpo biológico” denominado Brasil dará um importante passo para tornar-se um país harmônico e coeso.