Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/01/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude do individualismo e da necessidade de se fazer justiça com as próprias mãos.
Convém ressaltar, a princípio, que o individualismo é um fator determinante para a persistência do problema. Sob esse viés, Zygmunt Bauman defende em sua obra “Modernidade Líquida” que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo, uma vez que, multidões se juntam nas redes sociais para boicotar pessoas e marcas que tiveram um comportamento negativo dentro ou fora do espaço virtual. Tal quadro, aconteceu recentemente com a influenciadora digital Gabriela Pugliesi ao fazer uma festa em plena quarentena do COVID-19 e ser cancelada por milhões de internautas, perdendo mais de 2 bilhões em patrocínios.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a necessidade de se fazer justiça com as próprias mãos. Nesse âmbito, ao se deparar com atitudes julgadas errôneas, a sociedade condena artistas, influencers e diversas marcas através de discursos de ódio e difamações, o que acaba por fragilizar a dignidade dessas pessoas. Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário.
Assim, cabe ao Governo Federal de todos os países que vivenciam a realidade da cultura do cancelamento, em parceria com a mídia, criar propagandas de cunho educativo sobre as consequências da prática da justiça com as próprias mãos e do discurso de ódio dentro e fora do ambiente virtual, para concientizar toda a população, afim de diminuir consideravelmente a ocorrência desses comportamentos egóistas e superficiais conforme afirmava Machado de Assis.