Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/01/2021

A questionável eficácia do cancelamento.

Durante os últimos anos, um caso muito comentado nas redes sociais foi o “cancelamento” do influenciador digital, Júlio Cocielo, por diversas publicações de cerca de oito anos atrás, em que Júlio, ainda adolescente, fazia piadas claramente racistas. Porém, é efetivo que ocorra o desprezo total por uma pessoa, baseada em uma ação de anos atrás?

Para responder a questão anteriormente colocada, é interessante que tenha-se a ciência de que se trata de um assunto de carácter subjetivo, por tratar de emoções reprimidas por preconceitos que são, normalmente, milenares. Então é impossível que uma definição final seja dada sem que alguém sinta dor em sua ferida aberta.

Assim, deve-se julgar subjetivamente também cada situação, já que, diferentemente do influenciador citado (com seu caso extremamente questionável), no ano passado, ocorreu o cancelamento de uma comunidade de jogadores de videogame, auto-intitulados “Xbox Mil Grau”,  por proferirem diversas falas racistas, machistas, homofóbicas etc durante suas jogatinas transmitidas ao vivo. No último caso citado, os dizeres preconceituosos ocorreram insuficientemente recentes, para que já ocorressem quaisquer mudanças no modo de pensar dos acusados. Assim, o método mais efetivo foi o isolamento dos infratores, para que servissem de exemplo negativo, e não como aqueles que só deixaram passar. Mas isso é diferente do caso do Júlio Cocielo, por se tratarem de declarações de momentos diferentes na vida do influenciador, principalmente por se tratar de um momento anterior à vida adulta, assim ele poderia já ter uma mentalidade diferente.

Depois dos argumentos apresentados, pode-se concluir que não existe efetividade em repreender de modo definitivo uma pessoa por uma atitude antiga sem que antes ela possa ter a chance de demonstrar alguma mudança em seu modo de pensar e agir.

(((FIZ A REDAÇÃO NO ESTILO FUVEST)))