Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/01/2021
O mundo contemporâneo é marcado por fortes transformações sociais, causados principalmente pelo advento das telecomunicações. As redes sociais são os maiores exemplos dessas mudanças, sendo que, recentemente tem-se observado nas mesmas um novo fenômeno, o do “cancelamento”, um tipo de cultura que é extremamente negativo dentro dos contextos sociais em que está inserido.
De acordo com o sociólogo Guy Debord, a sociedade contemporânea é uma sociedade do espetáculo, ou seja, tudo que é feito e produzido busca a produção de uma determinada imagem, seja ela positiva ou não. Os acontecimentos deixam de ser analisados pelo que são, mas são vistos superficialmente através dessas imagens criadas e que podem abrangir os mais diversos âmbitos da vida em sociedade.
De forma análoga, pode-se caracterizar a cultura do cancelamento como a espetacularização de um debate. A ideia intrínsica a essa cultura é que ocorra a exclusão dos indivíduos que cometem algum ato socialmente ou moralmente condenável. A partir dessa situação, o que ocorre é que o “cancelamento” só abre espaço para que ocorra o julgamento e a crítica, mas as soluções e as mudanças são esquecidas, pois é como se o ato de “cancelar” já tivesse resolvido o problema, quando, na verdade, apenas o ocultou.
Percebe-se, então, que o “cancelamento” é apenas uma forma de espetaculatizar um problema ao invés de resolvê-lo. Dessa forma, é necessário que ocorram intervenções eficazes para minimizar gradativamente a problemática. Cabe ao Ministério da Educação, junto ao Poder Público, implementar palestras com profissionais da área de humanas nas escolas públicas e privadas a respeito da cultura do cancelamento com o objetivo de ensiná-los a terem limites com as palavras, respeito e senso de criticidade frente as diversas situações.