Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/01/2021
O cancelamento e seus possíveis inimigos
Até algum tempo atrás, quando alguém cometia um crime, como por exemplo um ato de ódio contra outra pessoa, por qualquer motivo, ela poderia certamente sofrer penalidades jurídicas. Hoje ela também corre esse risco, mas com um bônus, ela pode ser cancelada. Essa pessoa não ganha chance de se defender, muito menos de provar sua inocência. Dito isso, é claro que essa união social contra injustiças é importante, mas devemos estar atentos quanto aos seus males, pois podem ser muito nocivos.
Em primeiro plano, compreendemos que esse movimento surgiu já faz algum tempo, como resposta à alguns tipos de comportamentos não só físicos como virtuais. O cancelamento pode por exemplo começar com uma postagem sua, talvez antiga, é possível que você nem concorde mais com o que você mesmo disse há dois, três anos atrás. De qualquer forma, se outro internalta vê sua postagem e acha que aquilo de alguma forma o ofende ou não respeita algo que ele tem como dele, ele pode colocar em prática o cancelamento. Provavelmente vai começar compartilhando seu post e adicioando um comentário dizendo o que ele pensa e ainda irá marcar orgãos públicos e influencers (pessoas influentes na internet), depois disso essa pessoa não consegue se defender, porque milhares de compartilhamentos acontecem e é humanamente impossível de acompanhar. Nesse sentido, começa um ataque totalmente aberto à sua vida particular, uma caça, para que você se arrependa do que fez pagando o mais caro possível. Se você tem uma empresa, vão marcar seus patrocinadores na postagem pedindo para que os mesmos retirem o patrocínio e o ciclo continua.
Paralelo a isso, entramos em outra questão importante, esse tipo de “justiça” não chega na raiz do problema, pelo contrário, é claro para todos nós através da história humana que quanto mais energia e emoção você coloca em algo que nos pede para sermos racionais, mais chances existem das tentivas se transformares em erros. Seria uma lástima, contudo, dizer que o movimento é inválido. Esse senso de justiça nas pessoas é ótimo, mostra para todo mundo que tudo tem consequências não importa quem você seja, tudo tem limite.
Evidencia-se, portanto, que são necessários programas públicos e privados, que incentivem sim tal senso de justiça, mas também que concientizem as pessoas de que não podemos passar dos limites, se nem a justiça (jurídica) pode, porque destruiríamos a vida de alguém sem ao menos dar a chance da mesma se defender? Esses programas poderiam ser lançados nas próprias redes sociais. Com isso exposto, existe um caminho árduo pela frente, mas com trabalho conjunto podemos resolver tudo.