Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/01/2021

Na Grécia Clássica, por não acreditar nos deuses vigentes, Sócrates, importante filósofo, foi cancelado. Vê-se, nesse exemplo, que liquidar quem pensa diferente é antigo, mas, contemporâneamente, a cultura do cancelamento, seja pela velocidade de informações ou seu caráter memorial na Internet, está intensa e requer debate.

Sobre isso, a velocidade de informações condenatórias impedem-nas de serem jugadas de modo justo. De fato, não há espaço à defesa das vítimas. O que configura um desequilíbrio em prol do poder disciplinar. Sobre esse, Michel Foucault o denuncia como forma de poder que estrutura a sociedade e, por produzir ações sumárias, nem sempre é bom. A exemplo disso, no Guarujá, São Paulo, uma mãe de família foi linchada até a morte por conta de um boato que a acusava de sequestrar crianças. Logo, urge que esse debate seja feito com a sociedade.

Outrossim, há o caráter memorial da Internet que tende a perpetuar o estigma do cancelamento. Isso afronta a Declaração Universal dos Direitos Humanos porque precariza a justiça. Exemplificando, mesmo cumprida uma penalidade institucional por um crime, nunca a punição cessa porque é negado o direto ao esquecimento, a deteriorar a identidade social da pessoa implicada.

Logo, a cultura do cancelamento é nefasta e precisa ser debatida. Para isso o Poder Executivo proporá, por meio de Proposta de Emenda Constitucional, o Direito ao Esquecimento; será estabelecida também cláusula para coibir difamações na Internet; o projeto será amplamente debatido e encaminhado ao Congresso para apreciação. Haver-se-á, com isso, menos danos à dignidade humana.