Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/02/2021
A cultura do cancelamento na sociedade moderna ganhou relevância na era das redes sociais. Nesse mister, é necessário discorrer sobre as vantagens e desvantagens de tal postura e maneira como a sociedade deve lidar com essa nova realidade.
Primeiramente, salienta-se que a cultura do cancelamento surgiu para chamar atenção de causas relacionadas, principalmente, à justiça social. Dessa forma, por meio das redes sociais, um indivíduo que presencie um ato preconceituoso, por exemplo, o divulga na internet para que a empresa ou agente responsável sejam rapidamente resposanbilizados. Caso notório foi agressão, filmada e jogada nas redes, que ocasionou a morte de um indivíduo negro no mercado Carrefour, em que o fato foi rapidamente solucionado graças à repercussão negativa gerada.
Por outro lado, essa postura não permite ao acusado a possibilidade de se defender. Logo, é muito comum que o indivíduo seja sumariamente punido sem ter a sua versão dos fatos levada em conta. Recentemente, por exemplo, o jogador, Gerson, do Flamengo acusou o seu colega de profissão Ramirez, do Bahia, de injúria racial. No mesmo dia da acusação, ele foi afastado da equipe e o “tribunal da internet” taxou Ramirez de racista. Além disso, ele e seus familiares foram vítimas de ameaças e xingamentos nas redes. Todavia, meses após o caso, o auditor so Superior Tribunal Desportivo solicitou o arquivamento do caso por falta de provas. Porém, o estrago na imagem do futebolista já estava feita, já que a notícia de acusação tem muito mais “views” nas redes sociais que uma notícia de extinção de processo baseado na presunção de inocência.
Por fim, conclui-se que a cultura do cancelamento, incialmente foi positiva ao inibir posturas de odío dos indivíduos. Por outro lado o seu julgamento sumário possibilita o acontencimento de injustiças graves, tornado o acusado uma vítima. Logo, as empresas que comandam as redes devem controlar as postagens “canceladoras” da mesma forma que já fazem com as “fake news” para que não haja o cancelamento de inocentes.