Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/02/2021

A sociedade vêm cada vem mais se desconstruindo. Dessa forma o racismo, machismo, homofobia, entre outras intolerâncias estão sempre sendo repudiados, e ai entra o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Dessa forma, o ato de cancelar pode acontecer para intervir uma questão preconceituosa como também pra simplesmente cancelar um digital sem o direito de defesa dos acusados.

Primeiramente, vale ressaltar que a chamada cultura do cancelamento parte do princípio de que atitudes ou posicionamentos desrespeitosos, preconceituosos ou incoerentes de marcas e de personalidades influentes devam ser punidos com perda de trabalhos, de credibilidade, de fãs e de dinheiro. Se, por um lado, o tal cancelamento colabora para gerar debates sobre questões como racismo, homofobia e machismo, o fenômeno online também deturpa e banaliza o que são e para que servem as lutas de movimentos sociais. Com boicotes efêmeros, argumentações superficiais para “lacrar” e unfollows em massa, a tal “cultura” passa a ser interpretada como instrumento de luta social, quando, na verdade, não combate a raiz de opressão alguma.

Em segundo lugar, certos comportamentos de pessoas famosas levaram elas a serem canceladas nas redes, porém, sem a devida conversação e conscientização. Como é o caso da blogueira Pugliesi, que foi duramente criticada após publicar vídeos de uma festa realizada na sua casa em seus stories do Instagram - evento esse realizado em meio à pandemia do novo Coronavírus. Consequentemente, a digital influencer, além de perder seguidores, perdeu diversos contratos e patrocínios, e desativou sua conta na rede após pedir desculpas pelo ocorrido. Com isso, é perceptível que atitudes como essa devem sim ser questionadas, entretanto, é necessário uma reflexão acerca da conduta praticada, e não apenas o cancelamento superficial e anti democrático.

Diante do exposto antes que a situação se agrave, é necessário intervir. Logo, cabe às empresas digitais, que são responsáveis por redes sociais como o Twitter e o Facebook, criar políticas e anúncios que visem alertar seus usuários sobre a problemática da cultura do cancelamento e seus prejuízos para a realização de discussões democráticas e justas, uma vez que tal cultura fere o princípio do outro de se defender e se posicionar. Essa medida deve ser feita por meio de verbas privadas, tendo como resultado não apenas uma maior tolerância na internet, mas também a conscientização dos usuários acerca da importância de compreender, debater e reconstruir comportamentos e pensamentos considerados retrógrados ou errados.