Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/02/2021
Na obra “Macunaíma”, de Mário de andrade, o protagonista esconde alimentos da sua família, a qual está passando por um período de escassez de comida, e, como forma de retaliação, ele é abandonado por todos. Semelhante à ficção, a cultura do cancelamento, potencializada pelas redes socias, se configura como uma prática de justiça retributiva popular e arbitrária sobre a vida do “cancelado”. Urge, pois, a primordialidade de pormenorizar as causas e as consequências desse revés.
É importante pontuar, de início, os impactos dos meios de comunicação na sociedade. Nessa perspectiva, a internet ampliou o compartilhamento de informações entre pessoas; sendo possível alcançar milhões de usuários subitamente. Tal cenário se tornou palco para julgar aqueles que falam ou praticam algo que não é bem visto pelos internaltas, os quais, por meio de insultos e provocações, segregam o indivíduo do meio social. Sob esse prisma, a sociólogo moderno Émile Durkheim preconiza que os fatos sociais, pressão popular sobre o sujeito, são coercitivos e generalizados. Nesse sentido, a cultura do cancelamento; funcionando como uma justiça retributiva disseminada, que pune o indivíduo quando ele erra ou não se adequa a sociedade.
Outrossim, a prática do cancelamento gera problemas na vida proficional do “cancelado”. Acerca disso, o filósofo moderno Kant preconiza que o homem deve agir de tal modo que essa ação se torne uma lei universal. Nesse pensamento, a segregação causada por esse estigma é inaceitável, haja vista que se distancia de um modelo de conduta benéfico para a sociedade, pois suscita o ódio coletivo. No programa televisivo “Big Brother Brasil”, por exemplo, a participante Karol Conká, na edição de 2021, é criticada constantemente pelos internaltas devido o seu comportamento e, com efeito, perde seguidores e contratos milionários. Dessa forma, a cultura do cancelamento causa marcas irreparáveis na vida do reprimido.
Destarte, é necessário a mobilização de instituições sociais para superar esse imbróglio. Primeiramente, o Governo Federal deve propagar; em sites, redes sociais e canais de TV, vídeos que falem a respeito do cancelamento na sociedade e seus efeitos sobre a imagem do indivíduo, a fim de que todos saibam que tal prática é segregacionista e arbritária. Vale, ainda, que a família, célula máter do meio social, crie um embiente de respeito e empatia no lar, para que jovens e crianças não pratiquem ações repressivas, sobretudo, na internet. Assim, o que ocorreu com “Macunaíma” na obra será evitado na realidade contemporânea.