Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/03/2021

A série “Black Mirror” tematiza, em um de seus episódios, o uso das redes sociais para julgar e condenar pessoas que realizaram ações consideradas erradas pela sociedade. Fora da ficção, a cultura do cancelamento tem uma proposta similar: ignorar ou excluir alguém devido a um erro. Entretanto, tal radicalização dessa prática pode auxiliar na perpetuação de discursos de ódio e ocasionar inúmeras consequências negativas para a pessoa “cancelada”. Logo, é relevante que medidas informativas sejam tomadas a fim de alterar esse quadro.

Diante desse contexto, deve-se ressaltar que a cultura do cancelamento é um movimento que tinha como objetivo inicial denunciar ações que violem os direitos humanos, além de romper com estruturas de poder que protegem pessoas privilegiadas, como o movimento estadunidense “Me Too”, o qual denuncia o assédio e o abuso sexual, sobretudo na indústria cinematográfica. Entretanto, não é incomum que tal prática seja marcada pela opressão, como em “cancelamentos” motivados por opiniões divergentes ou por falas retiradas de contexto. Sendo assim, entende-se que esse movimento que tinha como premissa original contribuir na luta contra o preconceito, em muitos casos, torna-se um difusor de ódio mascarado de justiça.

Ademais, é importante destacar que, em inúmeras situações, os reflexos dessa cultura são extremamente danoso. Isso ocorre devido ao caráter punitivo e definitivo que grande parte das pessoas atribuem ao ato de “cancelar”, visto que não é inusual que a pessoa “cancelada” não consiga se retratar ou se explicar antes de ser “cancelada” no meio digital, a exemplo do que ocorreu com a Paola Carosella, chefe de cozinha renomada, que foi acusada de gordofobia ao relacionar alimentos saudáveis com um menor risco de obesidade. Desse modo, percebe-se que essa radicalização do movimento que considera o erro inaceitável e não pressupõe o aprendizado e a mudança pode evoluir para situações alarmantes, como perseguição e linchamento.

Portanto, é notório que medidas sejam tomadas para promover uma mudança nesse contexto. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, a partir de palestras, implemente debates sobre o julgamento criado nas redes sociais e promova a reflexão nos adolescentes, haja vista que são os principais usuários das redes sociais, como “Twitter”, “Instagram” e “Facebook”, sobre até onde isso é válido. Desse modo, a cultura do cancelamento poderá assumir um papel de transformador da sociedade e, assim, evitar a situação mostrada na série.