Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/03/2021

A cultura do cancelamento se tornou recorrente e popular no âmbito cibernético e atinge mais comumente celebridades e influencers que são “cancelados” por um ato ou conduta considerada inapropriada. Tal prática é notada por promover  justica social através das mídias ao defender  minorias e questões sociais. Entretanto, nos dias atuais, essa forma de punição virtual, mesmo sendo muito relevante, pode ser intolerante e exagerada dificultando a ressocialização do cancelado.

A priori, essa cultura pode trazer nímios benefícios, pois além de dar voz à grupos na sociedade, também garante que  leis sejam aplicadas mais rigorosamente. Haja vista que escancara os delitos tanto de famosos, quanto de anônimos na internet de forma mais ampla. Assim, dialogando com a   ideia do político Clement Attle, a democracia e os meios democráticos não são apenas a lei da maioria, mas a lei da maioria respeitando os direitos das minorias. Dessa forma, as redes modernas ao aplicar  o cancelamento com o fito de garantir a justiça virtual e os deveres judiciais, colabora para a perspectiva attleana.

No entanto, a repreensão pode ser feita de maneira imoderada, não proporcionando condições ao cancelado de se redimir ou ser aceito de novo  socialmente. Acerca disso,  o filósofo estadunidense John Rawls, em seus estudos sobre a justiça, afirmou que uma sociedade, para ser justa, deve ter a capacidade de tolerar, caso contrário, seria então considerada intolerante e, portanto, injusta. Contudo, esse pensamento vai de encontro com o comportamento da população atual, tendo em vista que a vítima do cancelamento muitas vezes não consegue nem mesmo se explicar sem receber críticas desconstrutivas, logo, dificulta-se a ressocialização desse indivíduo.

Torna-se claro, portanto, a necessidade de mitigar os impactos da cultura do cancelamento, para que ela seja, então, justa e tolerante. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, realizar, por intermédio da unidades escolares do Brasil, campanhas nas mídias e palestras nas escolas, sobre comportamento adequado na internet, de modo que os estudantes e a população sejam ensinados  a tolerar opiniões e atitudes divergentes e  também estejam sempre abertos à escuta. Para que, assim, a aceitação e o perdão sejam aplicados nos veículos modernos.