Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/03/2021
Em meados de 2017, o termo “cancelamento” tornava-se popularizado nas redes. A expressão foi e é fortemente utilizada para se referir ao ato de boicote a personalidades que praticaram alguma forma de violência. Sua alta propagação tem origem em movimentos que buscavam denunciar tais agressões, como o #MeToo, que expunha casos de abusos sexuais. No entanto, essa postura virtual parece ter se desviado de seu foco e assumido novas práticas. Nesse cenário, é pertinente analisarmos seu crescimento e consequências.
Primeiramente, é válido salientar o crescente uso da expressão, eleita como “termo do ano” de 2019 pelo dicionário australiano Macquarie. Esse fato elicita seu grande número de adeptos no ambiente virtual. Entretanto, segundo Anna Vitória Rocha, pesquisadora e mestranda em Ciências da Comunicação na USP, a cultura do cancelamento foi perdendo o senso de proporção.
Por conseguinte, um movimento anteriormente destinado à exposição de agressores, confundiu-se com o linchamento de qualquer indivíduo que expresse comentários socialmente ignorantes. Nas palavras de Eiichiro Oda, um reconhecido mangaka japonês, “a justiça é baseada em valores que mudam a cada geração”. Nesse prisma, é questionável o senso de punição exercido pela cultura, que, em diversos casos, acaba por isolar o alvo do debate e da oportunidade de repensar determinado assunto.
Logo, urge a necessidade do carecer de revisão da cultura. É importante que as escolas, por meio de incentivos da esfera federal e do Ministério da Educação, promovam debates que reforcem o diálogo como uma poderosa ferramenta na busca por uma sociedade mais consciente, a fim de se criar uma geração que não isole, mas que inclua todo indivíduo nas temáticas socialmente relevantes.