Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/03/2021
Na Idade Média, houve forte participação da Igreja Católica sobre os costumes de seus seguidores através do tribunal da Santa Inquisição, onde os considerados hereges eram condenados à fogueira. Nesse sentido, hoje, percebe-se que a cultura de perseguição perpetua-se, na sociedade, por meio do cancelamento. Sob esse aspecto, convém analisarmos a principal causa, consequência e possível medida relacionada a essa prática presente em nossa sociedade.
Em primeiro lugar, é importante destacar as atitudes da vítima cancelada, apontadas como tóxicas, como fator estimulante de supressão. De acordo com o livro 1984, de George Orwell, a sociedade está sendo monitorada constantemente pelo Big Brother. Fora da ficção, mas baseado nela, tem-se o reality Big Brother Brasil, o qual recentemente recebeu uma participante, Karol Concá, que foi absurdamente invalidada, com suas atitudes registradas e compartilhadas no país inteiro, fato decisivo para sua eliminação recorde com mais de 99% de rejeição.
Ademais, deve-se abordar as ameaças e os transtornos psicológicos desencadeados pela cultura do cancelamento. Nesse sentido, houve extrapolação dos juízes da internet, os quais insultaram o filho de Karol, em suas redes sociais, ameaçando ele de morte. É inadmissível que a coerção ocorra dessa forma, a qual se aproxima do conceito de coerção social do Durkheim, uma vez que o garoto, mesmo não participando do programa, sofrerá penas parecidas com as da mãe, as quais irão gerar insegurança e ansiedade.
Dessa forma, faz-se necessário apaziguar esse desmonte. Para isso, meios de comunicação devem alertar a sociedade sobre os malefícios do cancelamento, com propagandas entre os programas de alta audiência, a fim de lembrar as pessoas que há um código penal cuja função é punir de forma adequada quando houver motivos. Assim, a sociedade que usa da supressão poderá romper os laços inquisitivos de caráter medievo.