Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/07/2021

O filósofo Jean Jacques Rosseau ratifica que, “o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. Nessa prisma, a forma com que o educador ensina a pessoa que cometeu erro, como a prática de bullying com um colega, se for de maneira agressiva, pode levá-lo a acarretar transtornos mentais e também a sentimentos de solidão. No entanto, na contemporaneidade, essa lição ocorre também nas redes sociais, e é importante o debate sobre a consequência que isso traz- a “cultura do cancelamento”. Dessa forma, têm-se  que essa prática se dá pela quebra de conceitos estruturais e consequentemente tem a exclusão social, além de prejudicar a vida daquele que foi cancelado.

Sob essa prisma, o ato de cancelar tratar-se de uma iniciativa virtual que incentiva os indivíduos a deixarem de apoiar determinadas personalidades ou empresas, públicas ou não, do meio artístico ou não, em razão de erro ou conduta reprovável. Segundo o filósofo Filipe Campello, “as democracias modernas substituíram os julgamentos medievais, em que as pessoas eram queimadas na fogueira sob acusações de cunho moral, pelo aval das instituições de justiça”. Nesse viés, em um Brasil estruturalmente desigual, vê-se que o rompimento com pensamentos e falas preconceituosas, padrões determinados, entre outros, são feitos para obter um país mais incluso. Todavia, sabe-se que as redes sociais não tem um limite, e pode prejudicar , tanto financeira como psicológicamente, o indivíduo.

Outrossim, o “excluir social” é um processo caracterizado pelo afastamento de pessoas de todas as instâncias da vida. De acordo com o poeta Fernando Pessoa, “O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada sempre que possível, dos interesses alheios.“ Nesse quesito, uma consequência que cancelar uma pessoa traz é deixá-lo sem emprego, pois nenhuma empresa ou instituição lhe aceita depois do que ele fez, e que tira a idéia do que busca a iniciativa, -de buscar a inclusão do indivíduos-, além disso, tira a oportunidade de reconhecer seus erros e em seguida poder recomeçar. Em suma, é primordial chegar em uma intervenção que ensine as pessoas a não cometer mais erros, sem prejudicá-los.

Portanto, é indiscútivel de que esse novo termo, a “cultura do cancelamento”, seja melhorado para não prejudicar mais os indivíduos. Desse modo, é dever do Ministério da Educação junto com as instituições escolares, por meio das redes sociais -com vídeos explicativos- e palestras nas escolas, explicar como foi a descoberta do país, a questão da luta feminista, e vários “tabus” que até os dia de hoje persistem, a fim de desmistificar esses conceitos e ajudar na luta contra a desigualdade e na exclusão social. Além disso, é dever dos responsáveis procurarem orientação psicológica para ajudar na criação dos seus filhos. Logo, espera que com a educação tenha, assim, um Brasil mais incluso e igualitário.