Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/03/2021
O movimento “caça às bruxas”, que aconteceu entre os séculos XV e XVIII, consiste na perseguição das mulheres pela Igreja Católica que supostamente possuíam poderes sobrenaturais que contrariavam as expectativas políticas, sociais ou religiosas da época. De maneira idêntica, o que se tem visto na sociedade contemporânea é o debate sobre a cultura do cancelamento que fundamenta-se em posicionar-se contra a postura de algo ou alguém que contraria a expectativa de um grupo social. Logo, esse tipo de cultura tem se demonstrado antidemocrática e causa prejuízos graves aos cancelados.
Em primeiro lugar, a cultura do cancelamento tem se apresentado como antidemocrática e autoritária, pois compromote a liberdade, a integridade e o legado de indivíduos ou algo por meio das redes sociais, que tem se tornado um campo aberto de críticas e dado voz às pessoas que antes não tinham, Porém, essa liberdade nas mídias sociais tem dado força à atitudes ofensivas. A exemplo disso foi o filme clássico de 1939, " E o vento levou", que teve seu legado comprometido ao ser acusado de racismo em 2020, desconsiderando o contexto histórico em que os personagens estavam inseridos. Portanto, o fato de cancelar algo ou alguém não é considerado eficaz.
Em segundo lugar, essa prática provoca consequências fora da internet como transtornos mentais e até mesmo prejuízos financeiro; como a maioria dos boicotes atingem famosos estes perdem contratos importantes para sua carreira. No livro “modernida líquida”, do sociólogo “zygmund Bauman” revela que a sociedade atual passa por um momento de fragilidade nas relações socias fruto de uma ‘‘onda’’ de globalização e consumismo na qual as pessoas são definidas pelo que consomem ou fazem mas não pelo o que são. Desse modo, o uso irresponsável da internet no compartilhamento de opiniões à respeito de algo pode representar ameaças na harmonia das relações socias.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação promover discussões nas escolas sobre empatia e desenvolver nos alunos desde de cedo pensamentos críticos, por meio de palestras interativas uma vez por semana sobre o cuidado que se deve ter ao compartilhar informações sem entender e checar os fatos, para que os futuros adultos aprendam desde de cedo a analisar bem as postagens e não ser manipulados. Ademais, é fundamental que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos crie propagandas a respeito do tema, por intermédio das mídias sociais, esclarecendo as consequências de difamar e boicotar as pessoas sem conhecê - las de fato e o perigo de ficar somente com um lado da história a fim de alertar aos impactos negativos que essa cultura causa na vida de um cidadão.