Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 23/03/2021

Historicamente, na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates foi perseguido e preso por pensar diferente da sociedade em que vivia, mesmo na contemporaneidade sendo reconhecido como gênio. Nesse sentido, a cultura do cancelamento nas redes sociais surge como uma nova forma de intolerância, cujo objetivo é julgar e anular o pensamento alheio caso seja diferente da opinião do grupo cancelador. Essa nova forma de boicote, porém, traz impactos tanto para os canceladores quanto para os cancelados. Desse modo, é premente uma reflexão sobre a eficiência dos cancelamentos e a necessidade de as pessoas “cancelarem” outras.

Nesse contexto, o filme “Juiz Dredd”, apresenta um policial cujo trabalho é ser, ao mesmo tempo, júri, juiz e executor. Do mesmo modo, o hodierno cancelador é a pessoa a qual se acha no “poder” de julgar e punir outros, por motivos muitas vezes considerados banais e/ou outros puramente ideológicos. Nesse viés, protegido pela sensação de anonimato das redes sociais, o anulador se põe nessa posição de júri, juiz e executor e transforma tudo aquilo que ele quer dizer, mas tem receio, em cancelamento, levando-o a crer em uma falta de consequências de suas ações. Desse modo, é inegável como a falta de contato direto com o cancelado favorece a carência de empatia pela vítima, uma vez que o cancelador não percebe os impactos do cancelamento para os anulados.

Nessa perspectiva, segundo à Terceira Lei de Newton, toda ação tem uma reação. Analogamente, o cancelamento traz diversas consequências para a sociedade, algumas irreversíveis. Sob esse prisma, o anulado, por vezes, pode desenvolver transtornos psíquicos tais quais isolamento social, fobias, ansiedade e até depressão. Ademais, a prática de julgar, criticar e punir as pessoas, denuncia a frustração e a falta de empatia presente na contemporaneidade. Assim, é indubitável como a prática de cancelar se torna mais prejudicial do que benéfica, o que demonstra sua ineficácia e a imaturidade de quem cancela o outro por discordar de seus ideais e opiniões.

Diante dos fatos supracitados, evidencia-se o cancelamento como algo danoso tanto para o cancelador quanto para o cancelado. Logo, faz-se imperioso que o Ministério da Educação promova debates e discussões, por meio de aulas e vídeos on-line, acerca da cultura do cancelamento e como a sociedade e as relações nas redes sociais podem ser danificadas com essa prática, com o fito de instruir os cidadãos desses impactos dessa forma de boicote. Dessa forma, poderá haver uma sociedade ética e tolerante, diferentemente da Grécia Antiga.