Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/09/2021
Em um determinado episódio da série norte-americana “Black Mirror”, os indivíduos de uma sociedade possuem um aparelho digital capaz de criticar ou elogiar o comportamento das pessoas. Assim, atos bons podem receber até cinco estrelas e, atos ruins, zero. Fora da ficção, a ação de julgar as pessoas conforme suas atitudes é um ato que tornou-se comum na contemporaneidade. Contudo, muitas vezes, julgamentos obsessivos podem causar a cultura do cancelamento. Nesse sentido, a carência de campanhas e a falta de alteridade atrasam o combate dessa mazela social no Brasil.
Nesse cenário, a negligência governamental quanto ao direcionamento de campanhas contra a cultura de cancelamento dificulta suprimir esse imbróglio. Nessa perspectiva, o filósofo grego Aristóteles defendia que o governo deve promover a justiça social, isto é, o Estado é responsável por garantir o bem-estar de todos. No entanto, esse fundamento aristotélico permanece no âmbito da metafísica e, por conseguinte, não é praticado. Prova disso são os casos de ataques cibernéticos que ocorrem a fim de criticar ações consideradas incoerentes pelos indivíduos, causando discurso de ódio e intrigas na internet. Dessa maneira, nota-se a ineficácia das gestões governamentais em relação à violência, as quais deveriam assegurar os direitos previstos pela Constituição Federal de 1988.
Ademais, a escassez de alteridade - valor ético que adota a tolerância como medida para colocar-se no lugar do outro -, mostra a ignorância da sociedade e justifica a dificuldade de combater a cultura do cancelamento no século XXI. Nesse contexto, segundo o inventor estadunidense Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”. De maneira análoga, seu pensamento está correto, pois a tecnologia de fato é uma plataforma interessante, mas somente para aqueles que sabem usá-la. Dessa forma, quando as redes digitais são usadas para fazer julgamentos agressivos e “cancelar” uma pessoa devido seus atos, não é feito um uso produtivo desses meios. Sob essa ótica, a cobrança obsessiva e o questionamento sobre o caráter do indivíduo pode causar transtornos psicológicos nas vítimas dos ataques.
Portanto, medidas devem ser tomadas para amenizar esse óbice contemporâneo. Então, o Ministério da Educação(MEC), por meio de verbas governamentais, deve criar palestras públicas, totalmente gratuitas, para que todos possam participar. Esses eventos podem ser realizados por psicólogos com o objetivo de alertar a população sobre as consequências da cultura do cancelamento, além do Estado investir em mais campanhas sobre essa temática, a fim de amenizar esse problema social. Assim, a nação seria mais justa e empática e, diferente da série “Black Mirror”, ninguém precisaria receber “zero estrelas” por conta de críticas da sociedade.