Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/03/2021

O livro “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade vivendo em perfeita harmonia. Nesse sentido, o cenário atual brasileiro está em contrapartida a isso, haja vista a cultura do cancelamento que vigora nas relações interpessoais, sobretudo na internet. É necessário, portanto, o debate acerca dessa temática que, apesar de objetivar o discurso de pautas importantes, é distorcida na prática e acaba por resultar em consequências gravíssimas na vida do indivíduo “cancelado”.

Em primeira instância, é válido ressaltar que o significado de cancelamento é confundido constantemente, de modo a invalidar o objetivo real e eficaz de defender causas sociais e o meio ambiente. Diante disso, vê-se nas redes sociais um movimento em que as pessoas intitulam-se “juízes” da vida alheia, a qual geralmente possui opniões contrárias às delas e, assim, é cancelado por uma massa popular que possui ideias condizentes. Dessa forma, observa-se na máxima de Maquiavel: “dê poder ao homem e verá quem ele realmente é”, que a facilitação da comunicação e publicação de opiniões criou um campo de batalha virtual, o qual enche-se de discursos de humilhação e oposição ideológica, banalizando o cancelamento, ao invés de usar o “poder” para assuntos importantes, como o preconceito e o racismo.

Ademais, o que deveria trazer consequências benéficas à sociedade gera efeito negativo aos indivíduos que são considerados “errados” pela população, de modo a influenciar em toda sua vida. Desse modo, é possível observar como resultado a exclusão social, a depressão e até mesmo casos de suicídio, já que as pessoas são expostas, julgadas e não consideradas dignas de perdão. Outrossim, atitudes como essas não estão presentes apenas na internet, como também em escolas, faculdades e áreas de consvívio social. Além disso, vale lembrar da paticipante do reality show brasileiro “Big Brother Brasil”, Carol Conká, que cometeu erros no programa e foi cancelada na internet, sendo até ameaçada de morte.

Diante dos fatos supracitados, conclui-se a necessidade de adequar e disseminar o intuito da cultura do cancelamento, já que os seres humanos são propícios a cometerem erros. Logo, urge que o Governo, por meio da Secretaria da Cultura, mantenha a população informada acerca da temática, por meio de propagandas midiáticas em redes sociais e na televisão aberta, de modo a conter informações relevantes e impactantes sobre as consequencias negativas desse entrave e assim, promover mudanças na forma de agir dos indivíduos em cenários de cancelamentos. Somente assim, a população brasileira irá se aproximar da ideia proposta por Thomas More em seu livro