Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/03/2021

A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 5, assegura que somente com uma investigação completa de fatos, o Estado deve aplicar uma pena proporcional ao equívoco cometido pelo réu. No entanto, o linchamento virtual desproporcional no Brasil e o cancelamento em massa de pessoas que foram expostas na internet por erros cometidos, vão contra o que é assegurado na Carta Magna. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de estratégias para mudar este cenário.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a punição injusta feita pelos ´´juízes da internet´´. Segundo a alegoria criada pelo psicólogo brasileiro Dan Ariely, o efeito manada ocorre quando um grupo de indíviduos reagem da mesma forma, sem nenhum remorso. Ou seja, milhares de pessoas se unem para propagar a violência contra uma só, o que gera os linchamentos virtuais. Porém, apesar de ser um ato digital, as consequências do cancelamento são reais e podem afetar tanto a vida pessoal quanto profissional do ´´cancelado´´. Exemplo disso, foi o caso da influenciadora digital Alinne Araújo, que após ser linchada nas redes sociais por ter se casado sozinha depois que o noivo a deixou, atirou-se do nono andar de um prédio no Rio de Janeiro, em 2017.

Por conseguinte, outro fator a salientar é: pessoas com mais visibilidade estão propensas a serem vítimas do cancelamento na internet. O empresário e youtuber brasileiro Felipe Neto constantemente é alvo da violência virtual, muitas vezes pelas redes sociais resgatarem posicionamentos cometidos por ele no passado. Nesse sentido, na cultura do cancelamento a identidade da pessoa é reduzida ao seu erro, mesmo que ela não pense mais daquela forma. Com isso, fica evidente que essa violência não permite que as vítimas aprendam com os erros e evoluam como ser humano.

Portanto, medidas são necessários para resolver o impasse. Desse modo, urge que o Ministério da Educação implemente, por meio de verbas governamentais, palestras em escolas e universidades, ministradas por profissionais na área, a respeito da cultura do cancelamento, com fito de ensiná-los a não reagir conforme o efeito manada e não participar de linchamentos virtuais. Ademais, o Poder Público deve fiscalizar e julgar atos de violência digital, por meio de políticas efetivas, além de criar campanhas publicitárias sobre a cultura do conhecimento, com intuito de ensinar as pessoas canceladas a reconhecer o erro, aprender e evoluir para que não o cometam novamente. Somente assim, será possível frear com a cultura do cancelamento na sociedade e todos na sociedade serão julgados de forma justa, assim como é assegurado pela Constituição Federal.