Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/04/2021
Justiça com as próprias mãos.
Em 2017 surgiu um movimento que viralizou nas redes sociais ao denunciar o abuso e o assédio sexual na indústria de Hollywood que ficou conhecido como “Me Too”. Esse movimento foi o estopim para a popularização da cultura do cancelamento, que ocorre com frequência na internet devido ao notório preconceito de certos usuários e a inaceitabilidade do público quanto a questões de injustiça.
De início, é notório o preconceito de parte dos usuários de internet que insiste em publicar conteúdos de cunho machista, racista, homofóbico, etc. Isso ocorre devido a uma antiquada construção social que estipulou que pessoas com certas características são melhores do que as outras. De acordo com a lei número 7716 (1989), é crime praticar o preconceito. Porém no meio virtual, o descumprimento das leis com impunidade se torna algo, por vezes, banal, o que desperta a atitude dos usuários de “fazer justiça com as próprias mãos”, alimentando a cultura do cancelamento.
Ademais, é de conhecimento geral que a sociedade vem aceitando cada vez menos as injustiças. No século XIX, a discriminação era visto como algo normal, em parte, pela errônea teoria do Darwinismo Social, que buscava explicar a superioridade de certas pessoas em relação às outras com base em uma má interpretação da teoria de Darwin sobre a evolução das espécies. As diversas atrocidades sofridas ao longo da história da humanidade, junto ao desenvolvimento moral das pessoas, levaram as mesmas a refletir sobre as injustiças, fazendo com que na atualidade, ações preconceituosas não sejam mais aceitas, levando muitas vezes ao cancelamento dos preconceituosos.
É indubitável, portanto, a necessidade de medidas que combatam as más atitudes nas redes sociais. Para tanto, é dever das escolas, juntamente com a mídia, buscar uma mudança na concepção da sociedade quanto as construções sociais preconceituosas, por meio de disciplinas como sociologia e filosofia, e campanhas publicitárias, a fim de evitar situações de injustiças expostas nas redes, tornando desnecessário o cancelamento de usuários.