Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 30/03/2021
Há séculos atrás, durante a Revolução Francesa, sujeitos que cometessem barbáres ou discordassem do governo, não eram apenas punidos mas perdiam suas vidas, sendo guilhotinados. De forma análoga, a cultura do cancelamento na atualidade é um retrocesso a esse período em razão da inflexibilidade quanto ao diálogo e os danos para a vida dos “cancelados”. Desse modo, torna-se premente combater essa cultura em nome de uma sociedade respeitosa e plural.
Em primeira análise, o repúdio ao dialógo serve como “motor” para cultura do boicote no Brasil. Nesse sentido, parafraseando o filósofo Focault, o poder não está apenas centralizado em uma instituição, mas permeia sociedade e cultura, sendo pautado em discursos que o legitimam. Sob essa linha de raciocínio, observa-se que a medida que alguns brasileiros realizam o cancelamento de seu semelhante por um erro cometido, sob discursos , por exemplo , de “fazer justiça com as própias mãos”, o ódio torna-se legitimado em detrimento do dialógo . Sendo assim,o estimulo desse linchamento virtual ao invés de estratégias como o diálogo e respeito tornam dessa cultura um ciclo de hostilidade e hipocrisia.
Em segunda análise,vale destacar, como consequências dessa cultura o impedimento dos “cancelados” de aprenderem com seus erros e o desenvolvimento de transtornos psíquicos nessas pessoas. Sob esse viés, a máxima do filósofo Sócrates “só sei que nada sei” enseja uma reflexão necessária, de que todos os seres humanos são falhos e distantes de serem perfeitos. Nesse sentido, quando um indivíduo realiza o cancelamento , resumindo o outro a sua falha, impede o mesmo de aprender com seu erro e se autoposiciona em um local de perfeição, inexistente na realidade, como constatou Sócrates. Ademais,segundo o renomado médico Dráuzio Varela, essa cultura de boicote pode resultar em transtornos psíquicos nos cancelados, tais quais : depressão ,ansiedade ,sensações de abandono e e desprezo. Logo, é inegável que a cultura do cancelamento impacta negativamente na vida dos seus envolvidos e urge o seu fim.
Depreende-se, portanto, que a cultura do cancelamento na atualidade brasileira apresenta-se como um retrocesso devido a inflexibilidade quanto ao diálogo e os danos para a vida dos “cancelados”. Assim, faz-se mister que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações promova campanhas virtuais por meio de anúncios e vídeos nas plataformas digitais , como no mecanismo “histórias” do Instagram, sobre a importância de não legitimar essa cultura do cancelamento para uma sociedade permeada de civilidade.