Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/04/2021

O cancelamento surge do movimento #MeToo, com intenção de punição contra alguém que venha a ter atos considerados indevidos, o “castigo” é a ignorância de seus feitos, trabalho, ações como pessoa, no geral. Depois, se torna mais do que isso, forma-se um linchamento virtual, a ação de indivíduos em criticar e atacar uma pessoa, entre outras atitudes que evidenciem a revolta de um grupo de pessoas. A problemática em questão é como isso pode afetar a saúde mental da pessoa “cancelada”, e o fato de que o linchamento não faz com que, diretamente, a pessoa reconheça a gravidade de seus atos.

A princípio, ressalta-se que o cancelamento não expressa conduta de boa intenção, e sim, perseguição, sem que o “cancelado” entenda a impropriedade de seu comportamento. De acordo com o psicólogo Yuri Busin, a cultura do cancelamento possui “efeito manada”, em que, muitas vezes, o “cancelador” nem se alerta ao que faz, só reproduz a postura dos outros, sem especialização ou análise da situação, não possui ao certo um motivo plausível de sua prática, e provavelmente o faz porque sua mente o conforta e incentiva. Para Luiz Felipe Pondé, filósofo e escritor, o procedimento vem de algo enraízado na natureza humana, pois há séculos a humanidade já linchava e condenava pessoas, isso pode gerar uma sensação de pureza do próprio eu. Logo, o cancelamento provoca satisfação no “cancelador”, e desespero no “cancelado”, o que pode ativar seu mecanismo de defesa, e levar à tentativa de aliviar a condição ao pedir perdão, no entanto, nem entendeu por que cometeu uma falha.

Ademais, mesmo que a pessoa reconheça seu erro, não é saudável sua mudança, ela pode desenvolver doenças como depressão e ansiedade, por conta da reclusão, tristeza, sentimentos ruins que são alimentados no período, além de que, sua vida jamais será a mesma, muitos até afirmam que “a internet não esquece”, e é visível que usuários das redes sociais são capazes de encontrar registros de anos atrás para acusações. Entretanto, ocorrem casos onde o erro é um crime, mas não cabe aos internautas o dever de corrigir, punir, e resolver a questão, isso deve ser feito pela justiça.

É notável que a cultura do cancelamento não é um episódio de bom resultado para a sociedade e precisa de um fim. Para isso, vem a ser necessário uma ação da mídia, por meio do poder de influência, divulgar campanhas que expliquem o porquê de a cultura do cancelamento ser totalmente desnecessária e de péssimo efeito na sociedade, o que poderia trazer uma nova visão das pessoas sobre a questão. Como o fenômeno se difere, na maioria, entre jovens, deve-se garantir que a campanha chegue às escolas, logo, o Ministério da Saúde deve organizar palestras e discutir com pedagogos sobre ideias que exponham as consequências do cancelamento. Através dessas medidas, se garante uma melhoria de pensamento entre as pessoas, e redução dessa cultura equivocada.