Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 03/04/2021
Em sua obra “Por uma outra globalização”, o geógrafo baiano Milton Santos divide o fenômeno da globalização em três diferentes aspectos - a fábula, o real e suas possibilidades - evidenciando os impactos desse fenômeno para a contemporaneidade. Sob essa ótica, a cultura do cancelamento faz-se uma perversa consequência da real globalização, a qual amplifica as desigualdades e os variados discursos e posicionamentos na sociedade civil. Nesse sentido, em virtude da falta de empatia nas relações interpessoais, os transtornos mentais caracterizam um grave sintoma dessa questão. Dessa forma, os efeitos negativos do “cancelamento” tornam-se alvos prementes de medidas mitigadoras, por meio da análise das causas e consequências dessa problemática.
A princípio, é fato que o lapso de empatia crescente nas redes sociais configura uma das principais causas para o movimento denominado “cultura do cancelamento”. Nesse viés, em sua teoria da “Tábula rasa”, o filósofo John Locke exprime a ideia de que o ser humano é como uma folha em branco a ser moldada por suas experiências. De forma análoga, a impulsão desse movimento na sociedade contemporânea é resultado da formação de uma juventude que se espelha nesses exemplos de falta de empatia, como modelos e, no intuito de pertencerem a uma causa maior, fomentam discursos de ódio àqueles que pensam diferente.
Outrossim, os transtornos mentais se apresentam de forma vertiginosa como reação ao “cancelamento” nas mídias digitais. Nesse contexto, a terceira lei de Newton exemplifica essa afirmação ao apresentar sua teoria de que toda ação gera uma reação contrária. Fora da física, portanto, dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018 atestam que, ao menos, 5% da população brasileira possui algum tipo de doença mental. Desse modo, é possível observar que o aumento de cancelamentos na atualidade tem impactado negativamente a saúde e bem-estar da sociedade civil.
Destarte, faz-se imperioso o combate aos efeitos oriundos da cultura do cancelamento, ampliados pela globalização. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação promova seminários socioeducativos em escolas de âmbito público e privado, por meio de palestra com psicólogos e especialistas que informem sobre as infelizes consequências desse cancelamento para os indivíduos afetados, a fim de mitigar esses impactos e reduzir as alarmantes taxas de transtornos mentais na sociedade verde-amarela. Por conseguinte, tornar-se-á possível desfrutar das possibilidades da globalização, sem tantas divergências e desigualdades, conforme o pensamento de Milton Santos.