Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/04/2021

Para o filósofo alemão Jürgen Habermas, “a sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições”. No entanto, na era da superinformação, o bombardeio de pareceres gera uma desarmonia na construção de debates político-sociais. Desta maneira, a rivalidade dos grupos e a falta de proporcionalidade em relação ao senso crítico fazem com que estes sejam os principais indícios deste problema, sendo necessária uma mediação.

A partir da Revolução Francesa, populações de diferentes países puderam perceber que, quando contestavam antigos hábitos em conjunto, encontraram um caminho para garantir direitos e a manutenção de costumes.

Porém, com o avanço das redes de comunicação, a sociedade caminha para um mundo cada vez mais globalizado e líquido - termo cunhado pelo filósofo Zygmund Bauman, que demonstra como posicionamentos, endeusamento de personalidades e suas opiniões mudam tão velozmente.

Através destes comportamentos e da instantaneidade de acessos à internet, pré-julgamentos e linchamentos ocorrem com enorme facilidade – podendo custar o emprego ou a carreira de alguém que, conscientemente, reproduziu um discurso proveniente de um grupo privilegiado ou o fez por ignorância do assunto.

Sendo assim, para que as relações das gerações futuras sejam baseadas no respeito mútuo, uma ferramenta elaborada em parceira do Ministério da Educação com as escolas poderá ser o debate acerca de termos linguísticos não mais utilizados, presentes, por exemplo, em obras literárias, originados de situações de preconceito. Logo, o pensamento de Habermas poderá ser tido como base para a elaboração de discussões entre grupos distintos com maior equilíbrio.