Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/04/2021
Durante a Terceira Revolução Industrial, as transformações ocorridas influenciaram o desenvolvimento tecnológico, o qual tornou as relações sociais mais dinâmicas em âmbito global. Em contraposição a isso, nota-se que tal progresso também influenciou a coletividade de modo negativo, já que o comportamento hostil presenciado em práticas como o cancelamento foi intensificado na sociedade. Visto isso , é lamentável que fatores - como a utilização ferramentas virtuais de modo superficial e a sensação de livre-arbítrio em redes sociais- contribuam para a perpetuação de tais atos.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar como o comportamento irracional amplia o número de práticas ligadas à cultura do cancelamento na atualidade. Nesse sentido, sob a perspectiva de Friedric Nietzche, a coletividade, por ser, em sua maioria, alienada e insegura sobre seus atos, possui ações superficiais e comuns entre membros da população. A partir das concepções do importante filósofo alemão, infere-se que o tratamento hostil que ocorre sobre acontecimentos considerados errôneos da sociedade comprova tal teoria, haja vista que esse é realizado por muitos indivíduos, os quais não abordam o assunto de modo racional e, consequentemente, se organizam para preojudicar a vítima ao invés de auxiliá-la a evitar malefícios em suas atitudes. Outrossim, observa-se que tal comportamento impede o desenvolvimento social, já que cria uma sensação de insegurança não apenas em meio virtual, mas também no mundo material.
Além disso, é preciso salientar a relação entre o pensamento de que as redes sociais carecem de amparo legislativo e a ampliação de tal comportamento no país. Nesse viés, sob a ótica de Thomas Hobbes, a natureza humana é dissimulada, egoísta e capaz de realizar qualquer ação para cumprir seus objetivos e, por isso a existência do Estado é essencial para evitar atos maléficos em sociedade. Com base na concepção do teórico, depreende-se que ações como o cancelamento são resultados da sensação de livre-arbítrio - e de impunidade- em meios virtuais e prejudicam diretamente a qualidade de vida da vítima, afetam a integridade física e mental.
Portanto, é fulcral que o Ministério da Mulher, Família e Direitos humanos-crie cartilhas sobre as alternativas de como auxiliar indivíduos em redes sociais sem constrangê-los, por meio da contratação de especialista em estudos sobre o comportamento coletivo, quais auxiliariam a população por meio de tais manuais, com o fito de evitar a persistênca da cultura do cancelamento e permitir a interação saudável entre os usuários dentro e fora das redes. Alem disso, o Estado- via Ministério da Justiça e Segurança Pública- deve ampliar investigações sobre atos difamatórios na internet. Só assim a sociedade usará a tecnologia de modo racional, assegurando o bem-estar social.