Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/04/2021

Ao longo do processo de formação da sociedade, os métodos de resolução de conflitos foram sendo aprimorados, e passaram da mera vingança, uma retaliação emocional, para a justiça, uma forma racional de restaurar o equilíbrio. Porém, na contemporâneidade, os meios virtuais, recém chegados na história da humanidade, ainda utilizam o julgamento irracional, guiado pelas massas e chamado de “cancelamento”. Essa cultura do cancelamento é um movimento presente à muito tempo na história da humanidade, e requer a criação de normas e punições concretas para ser reduzido.

Primeiramente, a cultura do cancelamento é algo que sempre esteve presente em diversas culturas. Da Alemanha Nazista, na chamda noite dos cristais, em que grupos paramilitares e civís organizaram um pogrom contra os judeus, até aos julgamentos da idade média, em que apedrejamentos e o boicote a uma pessoa não eram raros, percebe-se algo em comum com o cancelamento atual: o movimento orgânico e irracional das massas, com o objetivo de punir um grupo ou uma pessoa. Dessa forma, é evidente que o cancelamento é algo que sempre esteve presente nas diversas sociedades humanas, tomando diferentes nomes como “justiça” ou “a solução final”, no extremo caso Nazista.

Assim, para impedir esse movimento orgânico das multidões, com seus efeitos danosos, é necessária a criação de normas e leis para reger as sociedades. Ao definir essas leis e normas, a punição de um crime, por exemplo, passa ser realizada de forma mais mecânica, racional e imparcial, visto que não depende da vítima definir o castigo, e sim de uma folha de papel, escrita por homens não envolvidos com o conflito. Ao mesmo tempo essas leis saciam uma parte da sede de vingança das multidões, impedindo que elas façam seu julgamento. Um exemplo do sucesso desse sistema é a própria sociedade atual, em que, apesar de existirem casos de linchamento, eles não são tão comuns como eram na idade média. Dessa maneira, se torna indispensável formulação de uma legislação para reduzir os julgamentos de grupos humanos.

Percebe-se então que o cancelamento nada mais é que um fenômeno presente em toda a história da humanidade, e que necessita de um regulamento para reduzi-lo. Logo, para diminuir os efeitos danosos do cancelamento, torna-se necessária a criação de uma “constituíção” para o meio virtual. Essa consituíção poderia ser criada por meio de um acordo do governo federal com as grandes empresas de tecnologia, que passariam a agir em conjunto na sentença de um usuário em casos de desrespeito às regras. Com isso, os julgamentos das multidões não só diminuíriam como também a internet se tornaria mais humana e civilizada.