Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/04/2021
A participante Carol Conká do Reality Show “Big Brother Brasil”, foi acusada de abuso psicológico contra outros participantes do programa, causando um grande dano em sua carreira de cantora fora do reality. Além disso, diversos telespectadores deixaram de assistir ao programa enquanto propagavam discursos de ódio nas redes sociais, agravando a situação da participante. Portanto, percebe-se que a cultura do cancelamento, mesmo que apresente debates relevantes sobre determinadas pautas, apresenta graves consequências ao alvo das acusações e sua família, prejudicando a saúde mental de ambos. Logo, uma anulação virtual não é considerada um meio adequado para a conscientização da população.
Primeiramente, deve-se compreender que o objetivo do cancelamento é uma conscientização baseada na exposição do indivíduo nas redes sociais. Ademais, tal invalidação além de anular a carreira do indivíduo nas mídias digitais, coloca em risco os familiares do “cancelado”, assim como ocorreu com o filho da participante Carol Conká, que sofreu ameaças de morte. Em síntese, de acordo com o psicólogo Leonardo Goldberg, o cancelamento não é uma forma adequada de conscientizar, pois conta com propostas agressivas e opiniões pessoais que podem ser distintas, causando maiores conflitos. Logo, o ato de invalidar alguém nas redes sociais não deve se tornar um hábito entre os internautas.
Outrossim, o cancelamento não conta com um diálogo, ou seja, a “vítima” não usufrui do direito de defesa quando é alvo dessa anulação, pois suas falas e atitudes são caracterizadas como invalidadas, haja vista que eles não possuem nenhuma credibilidade ou moral no ponto de vista do povo. Assim também, artistas que são cancelados muitas vezes perdem propostas de trabalho por não apresentarem um bom “histórico” de comportamento, fato que pode desencadear distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão. Desse modo, nota-se que a cultura do cancelamento é nociva, e deve ser combatida a fim de diminuir os discursos de ódio entre os indivíduos.
Portanto, para que o cancelamento deixe de acontecer nas redes sociais e a transforme em um ambiente de lazer, influenciadores digitais que possuem um grande alcance de seguidores devem, através dos canais de comunicação, promover projetos que se oponham ao cancelamento, apresentando suas graves consequências ao indivíduo. Além disso, usuários que propagam discursos de ódio nos meios digitais devem ser punidos por meio de uma fiscalização das plataformas, e não manter o hábito de realizar tais falas anonimamente sem temer à uma punição. Dessa forma, a fim de evitar o julgamento baseado em opiniões pessoais, o linchamento digital será atenuado.