Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/04/2021
Na modernidade, diversos paises precisam lidar com a cultura do cancelamento e seus efeitos. No big brother, reality show mais assistido do Brasil, Karol Conka foi muito julgada devido as atitudes controversas que teve no programa, sendo repudiada por todo país e saindo com o maior índice de rejeição da história. Fora da mídia, situações como essas são um reflexo da sociedade atual, sendo necessário rever as medidas punitivas que são aplicadas, já que estas, em geral, não dão a oportunidade de retratação e evolução do indivíduo. Dessa forma, é possível destacar duas consequências do cancelamento na contemporaneidade: o radicalismo que leva à intolerância e a banalização de pautas minoritárias, devido ao excesso de julgamento apenas pela necessidade de punir alguém.
Em uma análise inicial, a intolerância é também decorrente da cultura do cancelamento. Segundo uma matéria do G1, a maior parte das pessoas tem medo de expor seus posicionamentos devido a esse processo extremamente punitivo ou, até mesmo quando a opinião é exposta, as sequelas do cancelamento perduram por uma vida inteira, de acordo com entrevistados. Desse modo, pode-se inferir que a massa social não concede a oportunidade do indivíduo errar e aprender com os próprios erros, impedindo o seu progresso. Assim, enquanto a ‘‘justiça com as próprias mãos’’ for a regra, uma sociedade mais justa será exceção.
Em seguida, a banalização de pautas minoritárias também é uma realidade. No reality supracitado, outra participante também saiu com altíssimos índices de rejeição, devido a prática desenfreada do cancelamento. Nesse sentido, Lumena se aproveitava de pautas importantes, como racismo, intolerância religiosa e homofobia, acusando os seus colegas de serem preconceituosos com argumentos completamente descontextualizados, explicando o seu ponto de vista de forma grosseira e não didática. Dessa forma, atualmente, por grande parte das pessoas, é desconsiderado o seu contexto social, suas oportunidades de acesso a educação, apenas é necessário estar informado e desconstruído socialmente, o que origina um processo de antidemocratização (já que as raízes em uma sociedade preconceituosa não podem ser ignoradas)
Esse cenário de desordem vivida no século xxi urge ser não mais uma realidade. Para isso, é necessário que a mídia (virtual e televisiva) desconstrua a cultura do cancelamento através do algorítimo -para que essa informação chegue para todos- introduzindo a pauta da flexibilidade nos discursos e das consequências da punição desenfreada, além de demonstrar através de debates com profissionais espacializados a importância de ensinar de forma didática, para garantir o aprendizado.