Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/04/2021

No século XXI, no mundo globalizado, ocorreu um aumento exponencial da união coletiva contra a realização de opressão às liberdades individuais para que não se alcance sua forma extrema, vivenciada décadas anteriores em regimes autoritários como o de Hitler. Em contrapartida, no Brasil, tal panorama de progresso não se instalou isento de desafios, tendo em vista que esse combate contra certas atitudes tomou formato radicalizado: o cancelamento. Dessa forma, torna-se imprescindível explicitar as razões e consequências dessa prática: a ineficácia governamental diante de atos ofensivos e, por conseguinte, os ataques virtuais violentos que podem ser incorretos e gerar danos sérios.

Diante desse cenário, é lícito postular que a carência de posicionamento crítico do Governo diante da manifestação de discursos de ódio contra certos grupos é um sustentáculo central da recorrência do ato de cancelar pessoas. Nesse sentido, é possível inserir a afirmação do sociólogo Sérgio Buarque que diz: “O brasileiro possui certa cordialidade, o que significa que ele tende a agir conforme suas emoções e, assim, reagir as coisas ao seu redor”. Paralelamente, pode-se perceber que, baseando-se em tal afirmação, os governantes, ao conhecerem sua população, deveriam agir com êxito sobre tudo aquilo que, de acordo com Sérgio, possa levar o cidadão a agir por si só e de forma irracional, como por exemplo insultos feitos a seus iguais. Então, por não o fazerem, motivam os indivíduos a apresentarem a postura executiva que as autoridades falham em demonstrar, perpetuando tal maneira protetiva pautada.

Ressalta-se, como o resultado de tal ineficiência, a realização de julgamentos exagerados violento numa tentativa precipitada de assegurar a justiça, o que pode prejudicar a saúde mental de uma possível vítima de um julgamento falho. Sob tal ótica, comprova-se o tal ao analisar-se a situação vivenciada pelo jogador internacional Neymar que, após ser acusado de estupro, ainda que sem comprovação, foi massivamente humilhado no mundo online para, posteriormente, atestarem que a acusação era falsa. Assim, é possível depreender que essa tarefa punitiva realizada pelo corpo social, ainda que numa tentativa de amparo dos demais, é feita de maneira imprópria e pode resultar, para as vítimas de uma aplicação errônea, em graves problemas perante à sociedade.

Depreende-se, portanto, a urgência de resolução da problemática. É mister que o Estado, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete a realização periódica de palestras em espaços públicos que expliquem que ele atuará mais incisivamente sobre atos ofensivos, além de lecionar, com psicólogos, as sequelas que as agressões imprudentes podem acarretar a quem as recebe. Logo, prever-se-á a atenuação das mazelas trazidas pela cultura do cancelamento.