Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/04/2021

O Brasil começa a escrever sua história com extensos capítulos marcados por morte, desmatamento, escravidão, patriarcado, ditadura, preconceitos e direitos básicos virando privilégios. O cidadão que nasce no Brasil carrega essas correntes mesmo nos dias de hoje, já que é impossível não trazer junto a sí o reflexo da história de seu país. Após a globalização com a forte vinda da tecnologia, quando um cidadão se expressa de forma que são vistos os reflexos da sua história em um comentário, um “tweet”, uma fala no “stories” ou tv, ele é visto por milhares de pessoas e julgado por mais mil. Em poucas horas é possível que sua imagem pessoal, carreira, contratos, círculos  sociais estejam ameaçados, esse fenômeno social é chamado de cancelamento.

É errôneo pensar que esse fenômeno é exclusivamente atual. É possível fazer um paralelo por exemplo, com o cancelamento gigantesco que acontece com participantes do BBB, programa produzido e televisionado pela rede Globo, com a situação no século XVIII. Antes do livro “Dos delitos e das penas” que veio para humanizar o código penal, a forma de punição  não era baseada na gravidade do crime mas sim no sentimento de revolta e vingança da sociedade. Logo desde um assassino em série à um ladrão de galinha a sociedade tinha o direito de se vingar da forma que quisesse, como por exemplo fazer um fila e cada um tinha o direito de quebrar um osso do criminoso. A semelhança é clara, desde um erro por conta do passado que pode ser só falta de noção da situação real até um crime, a rede de usuários da internet se junta para praticar um linchamento, onde não se há limites impostos, fazendo com que a vítima sofra, de um alerta sobre sua atitude até perca de contratos de milhões.

Visto que o ato aqui tratado é nocivo para sociedade, ainda mais em tempos onde índices de depressão e ansiedade só aumentam. É de suma importância que hajam políticas públicas e a participação ativa da escola, que como disse o sociologo Émile Durkhein, é um dos pilares da vida do indivíduo, na formação do conceito de ensinar, debater e disseminar ódio.