Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/04/2021

No ano de 2020, a influenciadora digital: Gabriela Pugliese, foi alvo de inúmeros ataques e ofensas fortes depois de promover uma festa em meio a quarentena e compartilhar tudo em suas redes sociais. Mediante as críticas, a blogueira perdeu diversos patrocínios resultando em um prejuízo de quase dois milhões de reais (segundo a sua acessoria) e na desativação de suas mídias. Diante de tal exposto, dois aspectos favorecem esse quadro: a intolerância baseada nos discursos de ódio e o senso de justiça enraizado na sociedade. Nesse sentido, faz-se imperiosa a análise desses fatores.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a intolerância baseada nos discursos de ódio, que tem como objetivo fragilizar a dignidade do indivíduo. Desse modo, críticas, ofensas graves e até ameaças são propagadas  com facilidade através da internet, visando punir o sujeito por meio de um linchamento virtual. Tal conjuntura, pode causar danos e problemas psicológicos gravíssimos, tais como a ansiedade e depressão.

Outrossim, é fundamental apontar o senso de justiça enraizado na sociedade, pois, “cancelamento” é um novo nome para um antigo problema. Inicialmente, surgiu como forma de visibilidade para minorias que buscavam atenção política, para causas de justiça social. No entanto, tornou-se forma de difamação e promoção da violência perante a alguma conduta reprovável. Na obra 1984 de George Owrell, a população é convidada a manifestar seu ódio, durante dois minutos, frente a uma “teletela”. Porém, fora da esfera ficcional os dois minutos de ódio da obra, são convertidos em dias ou até semanas de insultos, gerando um impacto ainda maior nas vítimas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescíndivel que o Ministério da Cidadania em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, promova campanhas e palestras nas escolas, sobre as consequências do cancelamento e a importância da empatia nas relações sociais. Ademais, o Ministério da Justiça deve atuar mais efetivamente, criando ferramentas para policiar a propagação de qualquer ataque odioso nas principais redes sociais como o “twitter”, que busquem repudiar dado indivíduo. Assim, se consolidará uma sociedade mais ponderada, na qual nos afastaremos das descrições previstas por Owrell na obra 1984, onde a população vive uma guerra perpétua marcada pela manipulação pública.