Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/05/2021

No final da novela “Avenida Brasil”, a personagem Carminha, interpretada por Adriana Esteves, sofreu com o impacto do distanciamento social de suas ações, sendo, até mesmo, obrigada a se refugiar em um lixão, para se proteger da reação violenta da sociedade. Porém, fora da obra, esse elemento não se litima aos intérpretes da ficção, de modo que o julgamento social vem se transformando um padrão de comportamento, como pode ser vista na cultura do cancelamento no Brasil. Logo, essa situação degradante agrava a impunidade nas redes sociais e intensifica a violência.

Primeiramente, vale destacar que nesse ambiente virtual em que não há o contato face a face entre as pessoas que, muitas vezes, inibiria condutas ofensivas, antiéticas, discriminatórias e intolerantes agrava o impasse. Isto é, pessoas que ofendem na Internet nunca o farão isso pessoalmente. Podendo assim, achar que a tela fria do computador pode ser um escudo para fazer comentários agressivos, memes ofensivos, divulgação fotos ou vídeos privados não autorizados de terceiros, assassinar reputações e até mesmo esperar por todos os tipos de infortúnios, para o alvo do linchamento. Assim, converteram a rede social em um “tribunal público” que não permite explicação, o contraditório, a defesa, e cuja punição o assasinato da honra, é muito desproporcional a falta praticada, que pode levar a graves danos físicos e psicológicos, como ansiedade,

Além disso, vale saliente que as práticas de cancelamento virtual são muito semelhantes ao comportamento violento, de raiz tribalista, de algumas torcidas organizadas antes, durante e após uma partida de futebol, revelando uma faceta até mesmo primitiva da humanidade. Desarte, que o indivíduo quer pertencer a um grupo, a uma tribo e ele se sente seguro, dentro do coletivo, para praticar todos tipos de atos violentos que não praticaria se estiver sozinho. Desta forma, em razão da natureza humana competitiva e, algumas vezes, intolerante com o diferente, quer destruir o grupo rival. Por isso, segundo a filósofa Hannah Arendt, “a banalidade do mal” é o pior mal, pois é o mal não descoberto, ou seja, o mal universal.

Urge, portanto, necessidades de medidas tangíveis para a diminuição da cultura do cancelamento e a violência causada  por ela. Desse modo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), devem implemetar nas escolas uma disciplina que informa os maleficios do discursio de ódio e suas consequências, ademais carece que nessas aulas os alunos debatam sobre o cancelamento nas redes sociais, pontuando o respeito e a conscientização de responsabilidade quanto às atitudes praticadas na internet. Dessa maneira, a Carminhha não seria julgada, ao ponto de se proteger dentro de um lixão.