Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/05/2021

Na série ‘‘Black Mirror’’, o episódio ‘‘Odiados pela Nação’’, retrata jovens na internet por meio de uma votação decidir qual pessoa encaminharão ao seu palco de condenação, à morte. Entretanto, fora da ficção, adolescentes usufruem as redes sociais e julgam inadequadamente pessoas inocentes e sem direito de argumentação. Dessa maneira, é relevante discutir sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, destacando-se a justiça social precoce que ocasiona opressão e gera distúrbios na saúde mental.

Diante desse cenário, sabe-se que a ação dos ‘‘canceladores’’ possuem um imediatismo intenso, oprimindo os ‘‘cancelados’’ e sem direito algum de defesa. Durante a Idade Média, foi criado a Santa Aquisição, que era um tribunal religioso, no qual condenavam todos que iam contra aos dogmas católicos. Nesse sentido, a internet, aliada as redes sociais, servem como um panóptico -penitenciária ideal, que permite a um único vigilante observar todos os prisioneiros- onde as pessoas que ‘‘cancelam’’ são os vigilantes e os ‘‘cancelados’’ estão sendo observados eternamente, consequentemente, por essas observações contínuas, os julgados se oprimem e buscam subterfúgios fora da ‘‘internet’’.

Em consequência aos inúmeros ataques e atos preconceituosos, os sentenciados buscam uma fuga dos palcos julgadores e tornam-se pessoas afetas pela saúde mental. Ao decorrer do ano de 2019, o cantor Gustavito foi acusado injustamente de abuso sexual e em decorrência disso, o ‘‘cancelamento’’, além de vários ‘‘shows’’ cancelados e depressão. Nessa lógica, os juízes da internet e precursores dos discursos de ódio não possuem empatia e fazem críticas desproporcionais ao tamanho do ato, causando impactos negativos à reputação que ameaça o meio social e a subsistência. Por conseguinte, os ‘‘cancelados’’ se retraem cada vez mais, de modo que, gere depressão e ansiedade.

É fundamental, portanto, alterar a realidade apresentada para a cultura do cancelamento se tornar um meio de voz ativa às minorias e não um palco de julgamento. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo criar leis e punições para ‘‘canceladores’’, inserindo um site para denúncias aos ‘‘cancelados’’, por meio da fiscalização de redes sociais no meio inerente dos linchamentos virtuais, a fim de que haja conscientização. Ademais, compete as instituições de ensino criar, por meio de verbas governamentais, cursos e ‘‘workshops’’ de livre acesso para a população que detalham os perigos e advirtam os internautas sobre as consequências causadas pelos linchamentos, com a finalidade de usarem o conhecimento e, assim, amenizar o malefício causado pela cultura do cancelamento.