Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/05/2021

A Constituição federal, promulgada em 1988, garante a todos os cidadãos o direito à liberdade de expressão, de acordo com seu 6º artigo. Entretanto, devido à ascensão da era tecnóloga, diversos brasileiros vem sofrendo com julgamentos nos meios digitais. Isso posto, somado à falta de leis cibernéticas, resultou no debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade atual.

Em primeira análise, vale ressaltar que durante a Roma antiga, inimigos da sociedade eram jogados ao Coliseu para lutarem por suas vidas, tais cenas eram assistidas e serviam de espetáculo para população da época. Análogo à situação descrita, evidencia-se a cultura do cancelamento do século XXI, visto que diversos indivíduos são julgados por falas ou atitudes incoerentes à vontade social. Desse modo, devido à associação com as redes sociais, muitas vezes, o linchamento virtual é tratado como entretenimento, tal como as batalhas do Coliseu.

Ademais, menciona-se o caso da youtuber Vihh Tube, após ter gravado um vídeo cuspindo na boca de seu gato, a garota foi alvo de críticas na internet e em razão da persistência dos discursos de ódio, tentou cometer suicídio. Esse cenário reflete-se na falta de leis virtuais, uma vez que o cancelamento é tido como diversão por indivíduos radicais, desconsiderando qualquer sentimento de compaixão para com o cancelado. Dessa forma, tais atitudes extremistas baseiam-se em, apenas, disseminar o ódio, trantando assuntos complexos de maneira rasa e assim, dificultando a evolução e aprendizagem da pessoa que cometeu algum equívoco.

É evidente, portanto, que o direito à liberdade de expressão deve ser assegurado pela Constituição atual. Posto isso, é necessário que o Estado garanta segurança à integridade das pessoas, através de leis cibernéticas. Além disso, é fundamental que o Ministério da Educação torne presente assuntos relacionados aos perigos do cancelamento, por meio de aulas dinâmicas ou palestras nas escolas.