Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 12/05/2021
Na telenovela “Malhação”, é retratada a situação de julgamentos intensivos de algumas pessoas nas redes sociais, a qual é agravada pela falta de fiscalização no mundo virtual e pela falta de uma formação moral, devido os pensamentos desses indivíduos não serem iguais ao da maioria. Fora das telas, no Brasil atual, a punição moral realizada por internautas - Cultura do Cancelamento - se tornou mais presente à medida que as mídias sociais não são monitoradas pela segurança pública e pela falta de uma educação de qualidade. Desse modo, são necessárias medidas para solucionar essa prática.
Em primeiro plano, nota-se que a falta de uma educação de qualidade, que vise a formação moral do aluno, faz com que a cultura do cancelamento se propague na nação brasileira. Dessa forma, ao não fornecer uma educação pautada nos valores morais e na dignidade humana, como previsto pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Estado infringe a prerrogativa supracitada por não promover um espaço de debate voltado aos direitos e deveres do indivíduo no uso das redes sociais. Consequentemente, a negligência do governo faz com que os cidadãos continuem praticando ações maléficas, visto que esses não tiveram a educação ética-cidadã garantida pelo poder público. Por conseguinte, faz-se necessária a melhora do ensino brasileiro para formar indivíduos conscientes de suas ações a partir de valores éticos-morais.
Outrossim, é inegável que a falta de fiscalização no mundo digital é um dos impulsionadores para a persistência do problema no Brasil. Dessa forma, semelhante ao raciocínio do sociólogo Anthony Giddens – o qual discorre que o avanço dos meios de comunicação depende da Justiça e do Estado de Direito, infere-se que a falta de fiscalização no mundo digital implica no aumento nos atos que denigrem a moral e a dignidade do cidadão. Tal como no raciocínio supracitado, no Brasil, as pessoas realizam atos criminosos por não se sentirem sob o domínio da lei no mundo virtual, gerando, assim, uma comunidade tecnológica “fora da lei”. Logo, é mister afirmar a necessidade da fiscalização dos meios de comunicação digitais com o intuito de diminuir a prática dessas ações.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com psicólogos, realizar palestras nas escolas, por intermédio da criação de projetos, com foco na formação ética-moral do cidadão, com a finalidade de educar esses quanto aos seus direitos e deveres na realização de ações, tornando-os responsáveis nos meios digitais. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça, em parceria com a polícia civil, aumentar a fiscalização das redes sociais, por meio da criação de comissões fiscalizadoras, sobre os crimes contra a moral humana, a fim de punir os criminosos. Destarte, a adoção de tais medidas, contribuirá para uma comunidade digital consciente e segura.