Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/05/2021

Na obra “Vigiar e Punir” do filósofo Michael Foucault, retrata-se a respeito das instituições disciplinares de poder, o qual representa o “panóptico” como uma estrutura de vigilância constante da sociedade para o adestramento dos corpos. Paralelamente, nota-se que o monitoramento das ações dos cidadãos perpassa à ficção e persiste no cenário atual, por meio das redes sociais presentes no mundo globalizado. Com base nesse viés, é valido analisar as causas e as consequências da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.

É inegável perceber que o linchamento virtual se torna cada vez mais presente no universo digital. Isso acontece como uma forma de punição feita pelos indivíduos, mediante a ineficância dos procedimentos oficiais da justiça, que utilizam o anonimato da internet para representar um palco de juízes que castigam, principalmente figuras públicas. Tal fato pode ser observado nos realitys shows vinculados pela mídia, como o Big Brother Brasil, no qual os indivíduos são vigiados por câmeras o tempo todo e são “cancelados” pelo público, por suas posturas machistas, racistas e homofóbicas, por exemplo.

Além disso, nota-se que a cultura do cancelamento acarreta em problemas nocivos à saúde dos indivíduos, tais como depressão, angústia, sensação de não pertencimento, e até mesmo sintomas físicos, como falta de ar e insônia. Isso ocorre porque figuras públicas perdem seus seguidores nas plataformas digitais e se sentem sozinhas e excluídas, além de receberem diversos comentários negativos e perda de patrocínios. Tal ideia pode ser vista na obra " Sociedade do Cansaço" do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, o qual crítica o excesso da busca pelo alto desempenho, o que culmina em várias doenças e na espetacularização da vida perfeita inalcançável perpassada nas redes sociais, excluindo quem não se encaixa nesse padrão.

Portanto, fica evidente a necessidade de combate à cultura do cancelamento presente na nação. Para tanto, é mister que a imprensa socialmente engajada aborde em propragandas, vinculadas em horário nobre, sobre o linchamento virtual e os limites que devem ser impostos ao julgar uma pessoa, seja ela  famosa ou anônima, pois acarreta em diversos problemas mentais e físicos na vida do “cancelado”. Isso será efetivado, na presença de especialistas, a fim de atingir o maior número de cidadãos e reduzir os xingamentos virtuais. Afinal, é chegada a hora do panóptico representar apenas uma instituição presente no universo ficcional de Michael Foucalt.