Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/05/2021

Com a popularização da internet juntamente com os avanços da tecnologia e a difusão de ideais sócio-políticos com maior alcance, surgiu o que é conhecido como cultura do cancelamento. Baseia-se em difamar uma pessoa ou empresa que cometeu um ato ou apresentou um pensamento popularmente não aceito, tenha acontecido no presente ou no passado. Esse método é errado e apenas uma forma de censura, no qual deve ser mudado.

Ao cancelar alguém nas redes sociais, o usuário atingido não tem a chance de se defender ou explicar-se por tal feito, podendo ser apenas um mal-entendido ou um episódio fora de contexto. “E a cultura do cancelamento entra nessa esteira de modo completamente arbitrário, porque faz parte da lógica da não contradição, tão presente na internet. Não existe conversa ou escuta” diz o doutor em psicologia Leonardo Goldberg. Ou seja, tal prática é equivocada e desnecessária.

Essa atitude entra em uma campo de fazer justiça com as próprias mãos ao invés de reportar autoridades. Segundo Rodrigo Martins Leite, psiquiatra do instituto de psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), e Stanley Rodrigues, psicólogo da BP (Beneficiência Portuguesa de São Paulo), deve-se criar políticas de combate às postagens ofensivas, nas quais são regidas por lei, em meio eletrônico.

Também afirmado por Stanley Rodrigues, essa ação pode levar a sérios danos psicológicos e saúde mental abalada, muitas vezes ocasionando depressão, ansiedade e reclusão. “A pessoa pode até perceber que errou e reconhecer isso, mas nunca mais será a mesma e terá que sempre se policiar em relação às suas atitudes, gerando ainda mais sintomas de ansiedade” completa Rodrigues. Dessa forma, gerando risco ao feito.

Portanto, a cultura do cancelamento é um hábito que precisa acabar nas comunidades on-line, uma vez que não consideram todo o acontecimento, não são atos impostos pela legislação e causam problemas no psicológico dos atingidos. O jeito certo seria ter uma conversa detalhada com o suposto réu para que assim possa influenciá-lo e fazê-lo ter ciência das suas ações, conscientizando-o de forma não agressiva e bem pensada.