Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/05/2021

Segundo o filósofo Voltaire, o direito do " dizer" precisa ser respeitado ainda que não haja concordância entre as pessoas. Apesar de essa máxima ser necessária para o convívio social, na contemporaneidade, a cultura do cancelamento é um problema que contradiz esse pensamento e prejudica o respeito mútuo. Assim, devem ser abordados a falta de liberdade de expressão na sociedade e o discurso de ódio que afetam a todos.

É importante salientar, em primeira análise, que a falta de liberdade de expressão impede a harmonia do debate entre os indivíduos. Desse modo, a cultura do cancelamento é o reflexo do desrespeito ao direito do “dizer” do outro, pois se as pessoas não são livres, para expressarem o que pensam, qualquer fala que distoa  da maioria está passivel de receber ataques. Sob esse viés, percebe-se que a liberdade de expressão, benefício previsto pela Constituição Federal de 88, é essencial para combater o " cancelamento".

Ademais, o discurso de ódio existente na sociedade remete a leis antigas como a do " Talião", a qual utilizava a vingança como forma de justiça. Cita-se, por exemplo, o programa “Big Brother Brasil” da emissora Globo, em que a participante Karol Conká agiu agressivamente com outro colega e recebeu ofensas do público pós participação do “reality show”. Com efeito, é possivel identificar que a " cultura do cancelamento" não reconhece o ser humano como passivel a erros e ao aprendizado de falhas que são comuns de acontecerem com qualquer indivíduo. Logo, essa ação demonstra a hipocrisia social.

Portanto, pode-se constatar que a “cultura do cancelamento” é um mal para o convívio entre as pessoas e necessita ser debatida. Diante do exposto, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Justiça, criar um projeto nacional de combate ao discurso de ódio, por meio do respeito à liberdade de expressão e da punição efetiva para casos de ataques físicos e psicológicos, principalmente, nos ambientes virtuais, que são mais difícieis de identificar os criminosos, a fim de tornar possível o respeito com os indivíduos e a liberdade de expressão proposta por " Voltaire".