Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/05/2021
O cancelamento surgiu como uma forma de denunciar atitudes politicamente incorretas, envolvendo grandes marcas, artistas etc. No entanto, essa denominada “cultura do cancelamento” liderada por grupos virtuais, tem se transformado em um cenário cada vez mais perigoso e agressivo. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, nota-se que a internet vem se tornando um ambiente cada vez mais político, e a impressão de que a internet é uma terra sem lei, já não se aplica mais atualmente. Os usuários utilizam as redes sociais e reúnem grupos para contestar ou “boicotar” alguma ação proviniente de figuras públicas, marcas ou até mesmo pessoas comuns. Um exemplo recente disso, foi o ocorrido com a Karol Conká, rapper e participante da 21ª edição do reality show, Big Brother Brasil (BBB), a qual teve falas xenofóbicas, além, de falta de empatia por outros participantes. Karol foi cancelada pelos telespectadores, tendo a maior rejeição da história do programa. Perdeu vários contratos, foi atacada e perseguida junto com sua família.
No entanto, a prática de ódio gratuito contra reputação e a honra amedronta o mundo digital atualmente. Os “juízes da internet” são taxados de hipócritas ao criticarem atitudes que já praticaram ou praticam. Um movimento que deveria ter a finalidade de ensinar, acaba massacrando e destruindo o psicológico do alvo, independente se o ocorrido foi a 10 anos ou a 2 dias, o “cancelado” não tem sequer a oportunidade de se redimir.
Depreende-se, portanto, a necessidade de minimizar os impactos desses ataques sobre a vida pessoal. Para isso é imprescindível que autoridades do Ministério da Justiça, por intermediário da Lei dos Crimes Cibernéticos, possa punir devidamente usuários que atentam contra integridade física e psicológica, através de linchamentos virtuais, juntamente com as mídias sociais, ocultando perfis que façam apologia a crimes, sem violar o direito a liberdade de expressão. A fim de reciclar o objetivo inicial do movimento.