Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 18/05/2021

“O futuro que dita a regra do nosso hoje”. Com esse pensamento o filósofo Friedrich Nietzsche sinaliza a ideia de que as escolhas realizadas no presente são determinadas pelas metas que devem ser alcançadas a longo prazo. Contudo, uma incompreensão de tal premissa tem permitido a cultura do cancelamento no Brasil, o que pode prejudicar a qualidade do “amanhã” coletivo. Nessa perspectiva, é imprescindível a análise dessa questão no país.

Antes de tudo, compreende-se que falta ao Estado conscientizar a população sobre as consequências negativas dessa cultura. Isso porque um indivíduo sentir pode o desejo de expor na internet alguma, considerada errada por ele, de outra pessoa. Entretanto, saber que tal ação pode gerar, por exemplo, disponível à marca da vítima e, por conseqüência, provocar dificuldades para esta conseguir um emprego ou ser incluída socialmente para configurar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado pela teoria psicanalítica de Sigmund Freud, a qual afirma que os cidadãos vivem em um constante incorporados entre os impulsos inconscientes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego).

Ademais, evidencia-se a ausência de engajamento coletivo para alcançar, de fato, uma comunidade sem a cultura do cancelamento. Como prova disso, verifica-se a inércia de parte dos nós em não lutar em prol da aplicação das leis existentes, posto que falta assegurar o ordenamento jurídico que prevê o direito de defesa a qualquer acusado por sua ação ou discurso, o que pode comprometer a integridade moral, como exemplo, das causas das causas desse fenômeno virtual. Recorrendo aos estudos do filósofo Zygmunt Bauman para explicar essa situação, constata-se que as pessoas, após a Segunda Guerra Mundial, foram influenciadas pelo pessimismo da modernidade e passaram a aceitar quadros sociais negativos.

Ressalta-se, portanto, que a cultura do cancelamento deve ser superada. Para isso, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização de todos, priorizando projetos educativos com especialistas em serviço social, realizados nas escolas e nas redes virtuais, a fim de que os malefícios causados ​​pelas críticas críticas, em excesso , a alguém sejam evitados, como a exclusão. Além disso, é fundamental sensibilizar o povo, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada perante a ausência da aplicação da legislação vigente, potencializando, assim, a mobilização coletiva a favor do direito de defesa dos considerados “cancelados” pela população, com o objetivo de a justiça ser realizada e a dignidade destes não ser comprometidos