Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 17/05/2021

A paralisia coletiva e o efeito espectador é um fenômeno observado pela piscologia social, na qual embasou-se no caso da joven Catherine Genovese que foi brutalmente esfaqueada na frente de 38 pessoas. A partir disso, é possível observar a influência social nas ações pessoais, e a cultura do cancelamento é um exemplo disso. Além disso, essa propagação do ódio torna-se mais forte devido a transposição o tempo e espaço proporcionada pela tecnologia.

A priori, essa cultura do ódio dita padrões que devem ser seguidos sob pena de exclusão social. Mediante isso, de acordo com o Filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade está imersa em uma modernidade líquida, na qual as relações humanas são voláteis e os seres humanos descartáveis. Portanto, determinadas parcelas populacionais que não se encaixam nos padrões sociais impostos são facilmente margeadas da comunidade.

Ademais, o advento internet possibilitou a disseminação do ódio graças a sua facilidade em ocultar-se atrás das telas. Desse modo, além da globalização expressa de notícias, a barreira física promovida pelos canais de comunicação instigou cada vez mais pessoas a sentirem seguras para expor suas opiniões sem a preocupação de quaisquer consequências para si ou para outrem. Nesse diapasão, segundo a “Teoria Habitus”, do filósofo Pierre de Bourdieu, a sociedade incorpora estruturas impostas a ela e por fim as reproduzem. Assim, essa onipresença midiática promoveu o surgimento de juízes, os quais “inspiram”, cada vez mais, grupos a disseminarem seu ódio sobre um alvo.

Logo, é imprenscindível que haja uma auto-avaliação pessoal, a fim de reduzir os danos causados em outros e impedir que o efeito espectador não mate mais “Catherines Genoveses”.