Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/05/2021

Na Grécia Antiga, pessoas que atentassem contra à liberdade recebiam uma punição conhecida como Ostracismo, que consistia em levar o cidadão ao público, onde seria votado para ser banido ou exilado pelos demais cidadãos. Na era digital isso não é diferente, uma vez que pessoas que agem de maneira errônea sofrem o chamado “cancelamento”, onde são apontadas, julgadas e condenadas pelo tribunal virtual das redes sociais. Dessa forma, é preciso analizar os efeitos dessa prática na vida pessoal do cancelado e na sociedade como um todo.

Em primeiro lugar, evidencia-se que o cancelamento pode surtir um efeito negativo na vida de quem o sofre, visto que ao invés de corrigir o erro a internet faz uma espécie de linxamento virtual, prejudicando a saúde mental, a vida financeira e até mesmo familiar do indivíduo. Um exemplo disso aconteceu com a cantora Karol Konká, ao participar do reality show “Big Brother Brasil”, após alguns atos e falas contestáveis as pessoas passaram a destilar ódio pela mesma nas redes sociais, fazendo com que ela perdesse parcerias e seguidores, além de ataques ao seu filho de 15 anos e chegando até a fazer ameaças de morte à cantora.

Outro fator a ser analizado é o efeito da cultura do cancelamento na sociedade, dado que ao invés de sanar problemas enrraizados no corpo social, acaba gerando mais ódio e desviando o foco da problemática em questão. O sociólogo Pierre Bourdieu afirma sobre a mídia: “O que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”, nesse contexto, percebe-se que ao cancelar alguém não está de fato resolvendo o problema (racismo, homofobia, machismo) e sim oprimindo e impedindo que o cidadão possa aprender e mudar suas falas e pensamentos.

Tendo em vista o que foi mencionado, conclui-se que a cultura do cancelamento não é o meio ideal para punir atos indevidos e ensinar o correto. Portanto, cabe à mídia promover forúns de discussão quando alguém ou alguma figura pública cometer um ato inapropriado, com a participação de professores, sociológos e piscólogos, afim de corrigir e alertar da maneira correta. Somado a isso é necessário que as escolas realizem palestras e debates acerca de questões importantes como racismo, machismo e homofobia, com o intuíto de acabar com preconceitos enrraizados na sociedade e não se fazer necessário “cancelar” alguém.