Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/05/2021
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à cultura de cancelamento. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da lenta mudança na mentalidade social e da falta de empatia.
Em primeiro plano, é preciso atentar para as questões socioculturais presentes na questão. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da política do cancelamento é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante opressor, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Outrossim, a falta de empatia ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pela falta de empatia. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à cultura de cancelamento. Essa liquidez que influi sobre a questão do cancelamento funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanais culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem a política de cancelamento para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Assim, a população brasileira poderá atuar na melhora do país.