Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 23/05/2021

Em 2015, uma matéria do jornal “The New York Times” viralizou ao contar a história de uma cidadã americana que, ao viajar para a África do Sul, fez uma piada no Twitter dizendo que esperava não pegar aids durante sua estadia. Assim, após sua postagem, ela recebeu inúmeras agressões verbais e foi cancelada na internet. Nesse contexto, situações análogas à retratada no jornal ocorrem diariamente dentro das mídias sociais e evidenciam a cultura do ódio existente na sociedade contemporânea. Logo, nota-se que uma das causas é a ausência de empatia uns com os outros que pode ocasionar traumas psicológicos e emocionais na vítima.

Diante desse cenário, é válido ressaltar que os indivíduos vêm reduzindo a prática de sua empatia. A esse respeito, Jean Jacques Rousseau - filósofo iluminista - alega que o homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado. Nesse viés, as redes sociais transmitem uma pseudoliberdade a seus usuários, pois qualquer fuga do senso comum o cidadão irá ser alvo do cancelamento e estará acorrentado, conforme afirma Rousseau. Essa realidade demonstra a ausência de empatia dentro do ambiente virtual, pois evidenciam as falhas de outras pessoas e - por ignorância - não buscam reconhecer seus próprios erros.

Outrossim, Jean Paul Sartre - filósofo francês - defende que a violência, independente da maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Nessa lógica, o cancelamento virtual exemplifica a crença de Sartre, pois provoca violências verbais que podem ocasionar o desenvolvimento de graves distúrbios emocionais e psicológicos na vítima, como a depressão e a ansiedade. Dessa forma, enquanto a empatia estiver escassa nas comunidades on-line, a saúde mental dos usuários estará ameaçada.

Portanto, deve-se combater a cultura do cancelamento presente atualmente. Para isso, cabe à associação comunitária dos usuários das redes sociais, juntamente com as mídias, promoverem a conscientização dos indivíduos e estimular a prática da empatia, por meio da inauguração de um dia mundial contra o cancelamento. Essa iniciativa poderia se chamar “Olhe para si” e teria a finalidade de impulsionar as pessoas a refletirem sobre seus atos antes de julgar/cancelar o próximo. Dessa maneira, as relações sociais serão mais harmônicas e respeitosas.