Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/05/2021

Na Idade antiga, o processo de exilar pessoas que representavam riscos à comunidade e a ordem pública – prática do ostracismo – era extremamente comum. Hodiernamente, tal prática se faz presente na contemporaneidade, haja vista que a cultura do cancelamento nos meios digitais é uma ação que bane pessoas que tiveram comportamentos que não são mais aceitáveis. Dessa maneira, torna-se importante debater sobre esse assunto, que é causado tanto pela liberdade de expressão quanto pela ausência de leis.

Diante desse cenário, é importante ressaltar que a cultura do cancelamento é causada principalmente pelo livre arbitrio. A esse respeito, o Art. 5° da Carta Magna – norma de maior hierarquia no sistema jurídico – prevê a inviolabilidade do direito à liberdade, o que garante a liberdade de expressão a todos os indivíduos residentes no país. No entanto, tal liberdade tem sido usada de forma errônea dentro dos meios de comunicação, haja vista que o cancelamento de pessoas – principalmente influencers digitais – tem se tornado algo recorrente nas redes sociais. E junto ao cancelamento a chuva de discursos de ódio contra a pessoa, a qual influenciam tanto a vida profissional, quanto a pessoal. Assim, enquanto a sociedade excluir seus próprios indivíduos continuará sem evoluir.

Nesse sentindo, a falta de leis contra discursos de ódio dentro do meio cibernético tem se tornado um complexo dificultador para a erradicação da cultura do cancelamento. Nesse viés, John Locke defende que “ as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Dessa forma, percebe-se uma negligência governamental, visto que o mesmo deixa acontecer discursos do tipo dentro dos meios sociais, o que causa a exclusão de muitos indivíduos, alguns até sem a chance de se explicar, o que gera o exílio dos mesmo das redes. Desse modo, sem leis que assegurem as pessoas na Internet, esse meio se torna controlado pelos canceladores de plantão.

A cultura do cancelamento é, portanto, um problema que precisa ser combatido na contemporaneidade e, principalmente, no território nacional. Nesse sentido, o Congresso Nacional em parceria com o Poder Executivo, deve criar políticas públicas que limitem comentários maldosos dentro da Internet, por meio de verbas da União, a fim de melhorar a qualidade das interações comunicativas, e dar segurança às pessoas que usam esses meios. Ademais, é preciso que os influenciadores digitais ampliem debates a respeito dos discursos de ódio e/ou ameaças à qual muitos sofrem, a partir de lives feitas nas redes, como no Facebook e Instagram, com o efeito de acabar com a cultura do cancelamento, e promover o debate acerca dos comportamentos não mais aceitáveis no século XXI, levando como principal temática a erradicação das mesmas de forma saudável.