Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/05/2021
Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, na obra intitulada “Modernidade Líquida”, a sociedade pós-modernidade é caracterizada pela fragilidade e egoísmo nas suas relações. Nesse contexto, a tese desenvolvida pelo sociólogo corrobora com a cultura do cancelamento, que acontece de maneira viral e implica diretamente no convívio popular. Portanto, convém analisar as causas consequências relacionadas com esse tema no Brasil.
Em uma primeira abordagem, ressalta-se que o individualismo é um dos principais agentes motivadores de tal linchamento. Seguindo o pensamento de Thomas Hobbes, de que o ser humano pode provocar perversidades perante o próximo em prol do favorecimento de seus interesses individualistas, o cancelamento seletivo, e muitas vezes injusto, é fruto dessa condição humana. Paralelo a isso, Freaud já dizia que uma das defesas do ego é o julgamento. Assim, comprova-se que o cancelamento vem de uma atitude repulsiva e antipática.
Outrossim, faz-se necessário destacar o quão problemático é esse movimento. Embora de início pareça uma boa forma de chamar a atenção para causas e justiças sociais, a cultura do cancelamento é falha porque não existe um limite e traz malefícios também para quem está na posição de condenar. Segundo Daniela Generoso, psicóloga clínica pós-graduada em neuropsicologia, o cancelamento gera uma sensação de isolamento, e isso impacta a saúde mental. Desse modo, infere-se que essa prática deve acabar.
Entende-se, diante do exposto, a necessidade de existir medidas que amenizem a situação. Cabe, portanto, ao Governo Federal, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, criar políticas públicas que visam a interação entre as pessoas nas redes sociais de forma civilizada, resultando em punição para quem interferir os direitos humanos.