Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/05/2021

A chegada das mídias sociais e a evolução da tecnologia trouxeram inúmeros bens à sociedade, porém algo nem tão benéfico acompanhou essa chegada, a chamada “cultura do cancelamento”, que vem se desenvolvendo e atrapalhando, às vezes permanentemente, a vida de artistas ou até mesmo pessoas comuns.

Esse movimento começou por volta do ano de 2015 e consiste em, basicamente, excluir socialmente ou arruinar a vida profissional de alguém por conta de algum comentário ou opinião dado nas mídias sociais. Inicialmente pode parecer algo não tão grave, mas essa cultura vem causando problemas incessantemente ao redor do mundo todo. Temos casos recentes como o da artista Karol Conká, que sofreu comentários de ódio por conta de suas ações no Big Brother Brasil 21, e após a saída da artista do programa, ela teve todos os seus contratos rescindidos e a carreira prejudicada. Temos casos mais sérios ainda, como o caso do gamer Byron Bernstein, que já sofria com depressão, e após pedir a namorada em casamento pela internet, por conta da pandemia do covid-19, sofreu com comentários incitando ódio ao casal e cancelando o streamer por “não ter sido romântico”, e isso seguiu até o gamer se suicidar por não aguentar a pressão.

Mesmo assim, muitas pessoas ainda acham que cancelamento é uma coisa justa, afinal as pessoas estão sofrendo por suas ações, porém essas pessoas não poderiam estar mais erradas. Muitas vezes pessoas são canceladas por conta de especulações e comentários que depois se provam caluniosos, porém o estrago já está feito. Temos como exemplo o artista Gustavito, que em 2017 foi acusado por uma mulher no Facebook de abuso sexual, meses depois o cantor ganhou o processo na justiça e provou sua inocencia, porém perdeu todos os seus shows, muitos seguidores e fãs e teve o nome e a imagem difamados.

Casos como esse estão se tornando cada vez mais frequentes, afinal a tecnologia está cada vez mais acessível, e isso é extremamente preocupante. Arruinar a vida de alguém sem ter autoridade nenhuma é um problema gigantesco para a sociedade, e por isso a melhor solução para acabar com a cultura do cancelamento seria educar as pessoas sobre como usar a internet de forma correta e sem prejudicar a vida do próximo. Programas em escolas poderiam ser criados para ensinar as crianças e os adolescentes. E para julgar aqueles que realmente merecem, uma vara na Justiça Estadual poderia ser criada com um juiz autorizado para prosseguir com processos específicos dessa área. Fazendo assim com que a cultura do cancelamento acabe e a sociedade viva de forma harmônica e justa.